
A presença de dor, desconforto ou aumento de volume na região da virilha vem exigindo atenção para a possibilidade de hérnia inguinal. A condição ocorre quando gordura abdominal ou algum órgão interno como o intestino atravessa uma área enfraquecida da parede abdominal, provocando uma saliência que pode aparecer em um ou nos dois lados da virilha. De acordo com o National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, a hérnia inguinal é mais frequente entre os homens, embora também possa ocorrer em mulheres e crianças.
A manifestação mais conhecida é a formação de um abaulamento na virilha. Essa saliência pode ficar mais evidente quando a pessoa permanece em pé, tosse, levanta peso ou realiza algum esforço. Dor, pressão, queimação, sensação de peso e desconforto na virilha também estão entre os sintomas possíveis. Algumas hérnias, no entanto, podem não causar dor, o que torna necessária a observação de outras alterações na região, explica a Mayo Clinic.
"O aparecimento de uma saliência na virilha, principalmente quando associado a dor ou desconforto durante esforços, precisa ser investigado. A avaliação permite confirmar se a alteração corresponde a uma hérnia inguinal ou se está relacionada a outra condição", afirma o Dr. Iron Pires.
O diagnóstico é realizado principalmente por meio da análise do histórico clínico e do exame físico. Durante a avaliação, o médico pode observar e palpar a região enquanto o paciente permanece em pé, tosse ou faz força. Quando o exame físico não é suficiente para esclarecer o quadro, exames de imagem podem ser solicitados para confirmar a presença da hérnia ou investigar outras causas para os sintomas.
A indicação de tratamento depende das características da hérnia, da intensidade dos sintomas, das condições clínicas do paciente e do impacto provocado nas atividades cotidianas. Segundo o NHS, uma hérnia inguinal que não causa sintomas pode não precisar de tratamento imediato em determinados casos. A cirurgia pode ser indicada quando há dor, crescimento da hérnia, piora dos sintomas ou risco de complicações.
"A decisão sobre o tratamento não deve considerar apenas o tamanho da hérnia. A presença de dor, a evolução do abaulamento, as limitações funcionais e as condições gerais de saúde também fazem parte da definição da conduta", explica o Dr. Paulo Barros.
Quando indicada, a cirurgia busca reposicionar o conteúdo da hérnia e reforçar a região enfraquecida da parede abdominal. O procedimento pode ser realizado por cirurgia aberta ou por técnicas minimamente invasivas. A escolha da abordagem depende das características do caso e da avaliação da equipe responsável.
Além dos sintomas habituais, alguns sinais podem indicar a ocorrência de complicações. Uma delas é o encarceramento, situação em que o conteúdo da hérnia fica preso e não retorna ao interior do abdome. Outra possibilidade é o estrangulamento, caracterizado pela interrupção do fornecimento de sangue ao tecido herniado, condição que exige atendimento médico de emergência.
Dor intensa ou repentina, náuseas, vômitos, febre e alteração da coloração da saliência para tons avermelhados, arroxeados ou escuros são sinais relacionados a possíveis complicações. Dificuldade para evacuar ou eliminar gases e distensão no abdômen também podem estar associadas à obstrução intestinal. Nessas circunstâncias, a recomendação é procurar atendimento médico imediato.
"Uma mudança repentina no padrão da dor, o endurecimento da hérnia ou a impossibilidade de reduzir a saliência são situações que não devem ser ignoradas. Esses sinais podem estar relacionados a complicações que precisam de avaliação rápida", ressalta o Dr. Bruno Hernani.
A hérnia inguinal pode apresentar evolução diferente em cada paciente. Enquanto alguns casos permanecem pouco sintomáticos, outros provocam dor, desconforto crescente ou restrições das atividades. Por esse motivo, o reconhecimento dos sinais e a avaliação médica são etapas importantes para estabelecer o diagnóstico, identificar possíveis riscos e definir se o caso deve ser acompanhado ou tratado cirurgicamente.
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