
O mercado imobiliário do Paraguai deve movimentar cerca de US$ 3 bilhões em 2026 — o equivalente a aproximadamente R$ 16 bilhões —, segundo levantamento do setor. O avanço acompanha um ciclo de expansão econômica: o país cresceu 6% do PIB em 2025, mantém economia dolarizada, inflação controlada e grau de investimento reconhecido pela Moody's.
Boa parte do movimento é atribuída a incentivos que o país tem oferecido ao capital estrangeiro. Baixa carga tributária, repatriação livre de recursos e regras simplificadas para a compra de imóveis por estrangeiros compõem um ambiente que tem atraído empresários brasileiros. Somente no primeiro trimestre de 2026, o Paraguai registrou 9.125 pedidos de residência de brasileiros, o que representou 64% de todas as solicitações de estrangeiros.
Um novo fator entra na equação da valorização: a Rota Bioceânica. O corredor de 2.396 quilômetros que ligará o Atlântico ao Pacífico, com inauguração prevista para outubro de 2026, deve encurtar em até 17 dias o tempo de exportação rumo à Ásia e transformar o Paraguai em polo logístico regional. A expectativa em torno da obra já pressiona os preços de terras ao longo do traçado, especialmente no Chaco e nas cidades de fronteira.
O setor imobiliário paraguaio cresce de forma consistente há uma década, com expansão média de 8% ao ano desde 2015 e avanço estimado de 30% em 2025, segundo a Câmara Paraguaia de Desenvolvedores Imobiliários. A construção civil já responde por cerca de 12% do PIB, e um déficit habitacional superior a 1,1 milhão de moradias mantém a demanda aquecida, sobretudo em Assunção.
Bairros planejados no centro da expansão
Dentro desse cenário, o segmento de desenvolvimento urbano — loteamentos e bairros planejados — desponta como um dos mais promissores. É esse recorte que a BlockUrb, ecossistema de desenvolvimento urbano com sede na Estônia e operação no Brasil e no Paraguai, projeta como principal motor do ciclo, avaliando que a fração ligada à urbanização de novas áreas deve concentrar parte relevante dos cerca de R$ 16 bilhões estimados para o setor.
"O Paraguai oferece o que o capital procura: baixa tributação, câmbio dolarizado e previsibilidade. É natural que o investidor brasileiro olhe para o país vizinho", afirma Boccanera Júnior, arquiteto urbanista e fundador da BlockUrb.
O movimento também é acompanhado por novos instrumentos de acesso. A tokenização imobiliária, que fraciona empreendimentos em cotas digitais, começa a facilitar a entrada de investidores de menor porte nesse tipo de ativo — antes restrito a grandes capitais. Para analistas, o desafio dos próximos anos será transformar o volume de capital em desenvolvimento urbano estruturado, com planejamento e segurança jurídica.
Sobre a BlockUrb — A BlockUrb é um ecossistema de desenvolvimento urbano com sede na Estônia e operação no Brasil e no Paraguai, que reúne três funções em uma única estrutura: viabilizar empreendimentos urbanísticos, tokenizar sua cadeia de valor e orquestrar cidades inteligentes. Mais informações em www.blockurb.ee.
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