
Com trabalho da Cidasc, estado foi o primeiro do país a identificar 100% do rebanho bovino e bubalino. Foto: Ascom/Cidasc
Em 31 de março, Santa Catarina celebra 18 anos de implantação do Programa de Identificação de Bovinos e Bubalinos (PIB), iniciativa pioneira no Brasil e referência em rastreabilidade animal. A medida é fundamental para o controle sanitário do rebanho e para a manutenção do status sanitário diferenciado que o estado construiu e que é reconhecido internacionalmente.
Coordenado pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), o sistema permite acompanhar todo o ciclo de vida de bovinos e bubalinos, desde o nascimento até o abate. A identificação individual garante informações precisas sobre origem e movimentação dos rebanhos em todo o território catarinense.
Implantado em 2008, o programa tornou obrigatória a identificação dos animais por meio de brincos oficiais, aplicados ainda nos primeiros meses de vida. A iniciativa contribuiu para a organização dos dados agropecuários e fortaleceu as ações de defesa sanitária animal no estado, além de abrir portas em mercados internacionais exigentes para a carne catarinense.

“Nossos controles são frequentemente requeridos para estudos acadêmicos, pesquisas científicas, entre outros. Recebemos vários estados do país aqui para ver como o Programa de Identificação de Bovinos e Bubalinos funciona, como está estruturado, como são os controles informatizados. Atualmente o MAPA está requerendo o mesmo controle de identificação e rastreabilidade em todos os estados, isso porque há mercados definindo prazos para determinar a compra ou não de carne bovina brasileira, a depender desse quesito. Mais uma vez, Santa Catarina já está preparada e atende!” diz a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos.
Ela destaca que o sistema catarinense foi apresentado a autoridades japonesas durante a missão do Governo do Estado àquele país, em meados de 2025. “Mostramos o trabalho da Cidasc, os controles e garantias de saúde do rebanho catarinense que temos a oferecer, ponto bastante apreciado por aqueles que acompanharam nossa apresentação. Este diferencial deve resultar, em breve, na autorização do governo japonês para importação da carne bovina produzida em Santa Catarina. A Cidasc leva o agro catarinense para o mundo”, comemora a presidente.
A rastreabilidade é um elemento estratégico para a cadeia produtiva da carne, essencial para estados exportadores, como Santa Catarina, manterem-se competitivos. Nos negócios com a União Europeia, por exemplo, há pagamento maior para cortes de animais jovens que tenham a origem rastreada (a chamada Cota Hilton).

Para atender a crescente demanda dos importadores quanto a comprovações sanitárias, está em curso o Plano Nacional de Identificação de Bovinos, cuja meta é identificar individualmente todo o rebanho brasileiro. Neste sentido, a experiência catarinense tem muito a contribuir.
A implantação do PIB em Santa Catarina, em 2008, exigiu planejamento e trabalho intenso por parte dos profissionais da Cidasc e do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa). Nos primeiros municípios escolhidos, foram necessárias de duas a três semanas para concluir a identificação de todos os bovinos e bubalinos, visitando cada propriedade rural.
Na época, a numeração dos brincos era registrada em planilhas de Excel. A criação do Sigen+ (Sistema de Gestão da Defesa Agropecuária) foi um avanço importante e os investimentos em tecnologia tiveram sequência, buscando dar maior agilidade e precisão no registro e análise de dados.
Resultado do trabalho conjunto entre o poder público, instituições parceiras e produtores rurais, o sistema segue como uma das principais ferramentas de proteção do patrimônio sanitário catarinense e de fortalecimento do agronegócio.
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