Chapecó | 04.08.2022 | 09h09 Polícia

Polícia esclarece homicídio de Alex de Castro, após morte em viatura policial

A Polícia Civil esclareceu o homicídio de Alex de Castro ocorrida em Águas de Chapecó. A morte foi constata no interior de uma viatura policial.

Alex, de 36 anos, havia sido preso em flagrante horas antes de sua morte pelo crime de furto qualificado tentado. Conforme informações, ele teria ido até uma residência localizada em Águas de Chapecó e tentado subtrair um VW GOL, mediante o arrombamento da porta do motorista.

O crime, entretanto, não se consumou por circunstâncias alheias à vontade do agente, justamente por ter sido abordado e, com o emprego da força, detido pelo proprietário do veículo, um homem de 41 anos. A Polícia Militar foi acionada na ocasião e conduziu todos envolvidos à Delegacia de Polícia.

Alex sofreu lesões durante a luta corporal com o proprietário do veículo e precisou ser encaminhado ao posto de saúde municipal, onde após atendimento médico recebeu alta médica, oportunidade em que foi apresentado à Central de Plantão de São Carlos e autuado em flagrante.

Depois de finalizar os procedimentos o homem foi encaminhado ao Presídio Regional de Chapecó, local em que, ao ser retirado da viatura policial, no dia 22 de maio de 2022, por volta das 08h20, sua morte foi constatada.

Diante dos fatos, um inquérito policial foi instaurado para apurar as circunstâncias da morte, sendo que, de acordo com todo o conjunto indiciário produzido, a Polícia Civil concluiu que a infração penal contra a vida de Alex foi praticada pela suposta vítima do furto de veículo automotor.

Nas vezes em que foi ouvido, o proprietário do veículo apresentou, ao menos, três versões contraditórias entre si: uma aos policiais militares, a segunda à autoridade policial plantonista e a outra ao delegado responsável pelas investigações de seguimento.

O suspeito afirmou primeiramente que a vítima teria arrombado a porta de sua residência, depois, no entanto, mudou a versão e informou que a porta não tinha trava e bastava empurrá-la para conseguir abri-la.

Quando foi realizada a prisão em flagrante de Alex pelo crime de furto qualificado tentado, o suspeito afirmou à autoridade policial plantonista que, pelo estrondo, acreditava que ela teria caído da escada. Em nova oitiva, desta vez ao delegado responsável pelo caso, o suspeito apresentou versão diametralmente oposta: afirmou que a luta corporal com a vítima se iniciou dentro do imóvel, ao passo que ambos teriam caído da escada, “motivo pelo qual estava com a mão lesionada”.

Ademais, o suspeito negou que já conhecesse a vítima, porém depois ficou comprovado que ambos são vizinhos. Isso, por si só, demonstra a má-fé por parte do suspeito, que tentou inovar a maneira como os fatos se sucederam.

A versão apresentada por uma testemunha ocular foi preponderante para a correta compreensão do evento. A testemunha teria visualizado o suspeito (outrora proprietário do veículo automotor) agredindo fisicamente a vítima (outrora suspeita do furto qualificado tentado), mesmo estando ela inconsciente.

A testemunha propriamente teria solicitado que o suspeito cessasse as agressões, porém o seu pedido não foi atendido. As agressões, então, somente cessaram com a chegada dos militares.

Foi realizado o exame pericial no local e não foi verificado qualquer vestígio de arrombamento nas portas do imóvel ou mesmo no veículo automotor do suspeito. Além do mais, as lesões apresentadas no corpo da vítima não são condizentes com ferimentos produzidos em decorrência de queda de escada.

Ao final do procedimento, o suspeito foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil, notadamente porque, com a sua conduta (socos em excesso, mesmo estando a vítima inconsciente e não apresentando qualquer residência ou perigo), assumiu, ao menos, o risco de produzir o resultado morte (dolo eventual).

O procedimento policial seguirá ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, para as demais fases da persecução penal.

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Fonte: Portal Aconteceu, com informações Polícia Civil