Chapecó | 12.12.2016 | 10h19 Geral

"Da casa", Maringá vira pilar da direção da Chapecoense na reconstrução

Vice de futebol do clube entre os acessos e o fim da primeira temporada na Série A, ex-jogador retorna como diretor de futebol. Ex-goleiro Nivaldo será gerente de futebol.

O "não" virou "sim". Abalado e sensibilizado pela tragédia com o avião da Chapecoense, João Carlos Maringá voltou atrás na decisão de recusar um convite do então presidente do clube, Sandro Pallaoro, uma das 71 vítimas do acidente.

- O presidente já tinha conversado comigo para voltar no ano que vem, mas eu disse que não - contou Maringá, na entrevista coletiva em que foi anunciado como novo diretor de futebol do Verdão do Oeste.

Mudou de ideia. Óbvio para quem tem uma relação profunda com a Chape. Afastado do clube desde o fim de 2014, o ex-meia trabalhou por quatro anos como vice de futebol e esteve na caminhada de ascensão à Série A. Além de conhecer bem o Furacão, uma das características de Maringá é a força do vestiário, principalmente nos momentos decisivos. Nessa fase de reconstrução do clube, ele é tratado como o nome ideal, um pilar.

A Chape está sendo comandada pelo presidente interino Ivan Tozzo em parceria com o presidente do Conselho Deliberativo, Plínio David De Nês, o Maninho. Além de trazerem Maringá de volta, efetivaram o agora ex-goleiro Nivaldo Constante, o novo gerente de futebol.

Gente da casa somada a um olhar de quem vem de fora. Foi essa a mescla que a direção adotou. Além de Maringá e Nivaldo, chegam Rui Costa, o novo diretor-executivo, e o técnico Vagner Mancini.

- Precisamos de pessoas que conheçam a essência da Chapecoense, mas também precisamos da experiência desses que são de fora, que vão ajudar a fazer o clube ressurgir das cinzas - disse Plínio.

Voltar à Chape é mais do que um desafio profissional para João Carlos Maringá. Além de perder muitos amigos na tragédia com o avião do clube, ele também se refaz de um drama pessoal. Na véspera do acidente, a esposa dele faleceu. O dirigente conversou com os filhos e decidiu que voltará a trabalhar com o futebol, voltar para a Chapecoense.

Depois de deixar a Chape no fim de 2014 para descansar e realizar cursos de gestão de futebol, foi para o Joinville. Nos últimos oito meses, dedicou-se exclusivamente a cuidar da esposa.

- Trabalhei diretamente com o Maurinho (vice de futebol Mauro Stumpf) e com o Cadu (Eduardo Preuss, gerente de futebol). A gente que é da casa conhece a Chapecoense - frisou. Maurinho e Cadu também faleceram no acidente aéreo.

A partir dessa segunda-feira, Maringá, Rui Costa e Nivaldo começam efetivamente o trabalho. Estarão em contato permanente com Mancini, que está na Granja Comary para o curso de treinadores da CBF. Ele voltará a Chapecó a partir do dia 19.

- A gente tem relação com muitas pessoas dentro do mundo da bola. Os clubes já se prontificaram (a ajudar). Mas a gente vai ter que ter bastante cuidado nesse momento, que não é porque o clube A ou B ofereceu, que vai ter que contratar. E eles entendem assim também. Vai ser de acordo com a necessidade e o perfil dos jogadores. Claro que o Santos, Cruzeiro oferecerem uma lista, a gente vai avaliar com muito carinho e agradecidos por isso. Mas vamos tentar trazer jogadores com perfil e que caibam no nosso grupo - afirmou Maringá.
Ele também será um dos responsáveis por garimpar garotos da base.

- A base é boa e temos boas opções lá.

A Chape pretende contratar cerca de 35 jogadores para a próxima temporada. O orçamento do clube para 2017 deve girar em torno de R$ 60 milhões.

Fonte: G1