Chapecó | 06.10.2021 | 19h41 Tecnologia

Cazaquistão aceita devolver ônibus espacial à Rússia (mas quer algo inusitado em troca)

Existe uma disputa pelos restos de dois protótipos dos ônibus espaciais russos (popularmente conhecidos como Buran, nome do único que realmente foi ao espaço) que se encontram, atualmente, em um galpão do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. A Rússia pretende repatriar e restaurar essas relíquias, mas vem enfrentando resistência do chefe do espaçoporto, Dauren Musa.

Mas ao que tudo indica, houve uma reviravolta no caso. De acordo com o site Futurism, Musa sinalizou a possibilidade de abrir mão de um dos protótipos, chamado Ptichka (ou Izdelye 1.02). No entanto, ele quer algo bem específico em troca: um crânio humano.

Claro que não serviria qualquer crânio (do contrário, essa briga já poderia ter sido solucionada há muito tempo).

Musa entregaria Ptichka em troca do crânio do último Khan cazaque, Kenesary Kasymov, considerado herói no país por ter liderado uma rebelião contra as tentativas do Império Russo de colonizar a região na década de 1840.

Não se sabe como Musa se apossou dos ônibus espaciais
De acordo com o site Ars Technica, as empresas espaciais russas venderam muitos ativos após a queda da União Soviética, então é perfeitamente possível que o empresário cazaque tenha adquirido os ônibus espaciais na época ou comprado de alguém que os comprou.

Fato é que, recentemente, a diretoria do NPO Molniya, bureau de design soviético que trabalhou no programa Buran, publicou um comunicado à imprensa alegando que havia enviado uma delegação a Baikonur para discutir a transferência de protótipos dos veículos para a Rússia. Segundo o comunicado, as espaçonaves seriam restauradas e disponibilizada em museus do país.

Em resposta, Musa publicou no Twitter: “Eles querem pegá-lo, mas quem vai dar a eles? O ano do 60º aniversário do voo de [Yuri] Gagarin para o espaço está chegando ao fim, e a indústria [espacial] russa, que recebeu quantias colossais de dinheiro das pessoas, não pode se orgulhar de nenhuma conquista”, continua Musa. “Tudo o que eles podem fazer é exibir os modelos que abandonaram às pressas há 30 anos”.

Com a proposta do excêntrico empresário, estaria essa história próxima do fim? Parece que não. Da mesma forma que, até hoje, ninguém entende muito bem como Musa tomou posse dos ônibus espaciais, não se tem a mínima ideia de onde pode estar o tal crânio.

Existe a possibilidade de estar em São Petersburgo, mas as autoridades russas afirmam que realmente não sabem o que foi feito da cabeça de Kenesary Kasymov.

Fonte: Olhar Digital