Chapecó | 29.03.2021 | 12h12 Política

Após reunião com secretariado, Ernesto Araújo pede demissão

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu demissão do cargo nesta segunda-feira (29), de acordo com fontes ouvidas pelo R7 e pela Record TV. Integrante da chamada ala ideológica do governo, o chanceler estava no cargo desde o início da atual gestão, mas não resistiu à pressão, inclusive do Centrão, que apoia o Planalto, em razão da política diplomática durante a pandemia.

Araújo teria informado sobre sua saída do posto após reunião com o secretariado. O chanceler havia cancelado a agenda oficial desta segunda para conversar com os subordinados.

Na semana passada, as críticas à atuação de Araújo no Itamaraty se intensificaram após senadores, durante audiência pública na última quarta-feira (24), terem pedido sua saída. O chanceler foi questionado enquanto falava das dificuldades enfrentadas pelo Brasil para a compra de vacinas contra a covid-19.

A fritura continuou no dia seguinte, quando o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), subiu ainda mais o tom, afirmando que a política externa é falha e precisa de mudanças, mas sem citar diretamente Araújo.

"Tivemos muito erros no enfrentamento dessa pandemia e um deles foi o não estabelecimento de uma relação diplomática de produtividade com diversos países que poderiam ser colaboradores nesse momento agudo de crise que nós temos no Brasil. Ainda está em tempo de mudar para poder salvar vidas. Temos que mudar o rumo dessa política externa para que tenhamos parcerias, o Brasil é muito importante para o mundo em muitos aspectos aqui temos Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica e produção de alimentos para o mundo".

Na sexta-feira (26), a pressão se elevou com a nota pública da FNP (Frente Nacional dos Prefeitos). A carta pede ao governo federal que demita o ministro, em função do seu "leque diverso de trapalhadas e atitudes destrutivas" e para que o Brasil "reverta a política externa desastrosa que vem adotando".

Na tarde deste domingo (28), o chanceler publicou em suas redes sociais insinuação de que o negócio milionário da internet 5G estaria por trás dos ataques que sofreu de senadores na audiência pública de quarta. A atitude foi lida como clássica de um demissionário e irritou ainda mais os parlamentares.

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Fonte: R7.COM