Saúde Saúde
Tecnologia personaliza monitoramento de pacientes
Startup brasileira apresenta, em Berlim, tecnologia que combina agentes de IA, dispositivos vestíveis e checagem de alertas para apoiar profissionais no acompanhamento de doenças crônicas
22/10/2026 10h59
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A seleção para o Nvidia Inception marca uma nova etapa para a Next2u Saúde, startup brasileira incubada pelo IA Instituto, que desenvolve inteligência artificial para monitorar pacientes crônicos. A entrada no programa global da Nvidia amplia o acesso a recursos de desenvolvimento, capacitação técnica e conexões internacionais. Entre 20 e 22 de outubro, a empresa participa de uma missão durante o Nvidia GTC Berlin 2026, na Alemanha, para apresentar sua tecnologia e aproximar-se de especialistas e potenciais parceiros.

Um dos desafios enfrentados pela plataforma é distinguir um risco real de um alarme falso. Nem toda alteração captada por um relógio inteligente significa que o paciente precisa de atendimento: um movimento brusco ou uma leitura imprecisa pode gerar sinais sem relevância clínica. A Next2u desenvolve mecanismos para analisar essas informações em conjunto com o histórico de cada pessoa e encaminhar às equipes os alertas que exigem atenção.

Na plataforma, informações clínicas se unem a registros de monitoramento coletados ao longo do dia. A proposta é formar um histórico individual que permita observar tendências e reconhecer alterações persistentes em relação ao padrão habitual de cada pessoa. Algoritmos de análise de risco, regras assistenciais e mecanismos de filtragem de sinais ajudam a organizar os alertas antes que uma ocorrência seja encaminhada à equipe de saúde.

"O valor da tecnologia não está em gerar o maior número possível de alertas. Está em identificar o que merece atenção e transformar os dados em informação útil para o profissional", afirma Leandro França de Mello, cientista de dados e liderança tecnológica do projeto. Um dos diferenciais apresentados pela empresa é a arquitetura de agentes de IA personalizados por paciente. Em vez de considerar somente limites genéricos de indicadores, o sistema é concebido para acompanhar o histórico e o contexto clínico individual. O material técnico da Next2u descreve ainda uma matriz expandida de 971 possibilidades explícitas de alerta, incluindo combinações de riscos, doenças, medicamentos e padrões de confirmação. A matriz contempla diferentes combinações de riscos e regras de verificação para apoiar a priorização das ocorrências, mantendo a avaliação clínica com os profissionais de saúde.

É justamente a conexão entre esses recursos e a assistência que dá forma ao Saúde Responsiva. O programa começa pelo diagnóstico da rede, estabelece protocolos e prepara profissionais para utilizar as informações. Na operação proposta, uma central acompanha os alertas e os encaminha a enfermeiros, médicos e agentes comunitários de saúde. Uma alteração detectada pode dar origem a uma ligação, uma visita ou uma avaliação clínica, com responsáveis e prazos definidos. Esse fluxo inclui também pacientes sem relógio inteligente e pessoas que precisam de acompanhamento após a alta hospitalar. Assim, a inovação não termina no aviso gerado pela máquina: ela procura assegurar que alguém possa agir a partir dele.

"Monitorar não significa substituir o contato humano. Nosso objetivo é justamente dar ao profissional condições de acompanhar melhor o paciente entre uma consulta e outra, quando muitas complicações começam a se desenhar", diz Rafael Figueiredo, CEO da Next2u Saúde e responsável pela liderança clínica e de produto.

A proposta nasceu da experiência com os desafios da atenção primária no Brasil, em que informações podem estar distribuídas entre diferentes serviços e profissionais. Segundo Ricardo Fantoni, CEO do IA Instituto, esse contexto ajuda a orientar uma tecnologia com ambição internacional. "Quando conseguimos construir soluções para realidades tão diferentes e complexas quanto as do Brasil, temos conhecimento relevante para compartilhar com outros mercados. Queremos levar essa experiência para a conversa em Berlim."