Chapecó | 19.03.2017 | 19h04 Geral

Temer convoca reunião para discutir medidas contra crise da carne

Carne Fraca – Em uma reunião de emergência, o presidente da República, Michel Temer, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e representantes do setor agropecuário vão debater neste domingo (19) medidas para enfrentar a crise da carne, gerada pelas revelações da Operação Carne Fraca.

Entre os convocados para a audiência no Palácio do Planalto, estão os presidentes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Carmadelli; da Associação Brasileira da Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra; e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), João Martins.

De acordo com o Ministério da Agricultura, o objetivo da reunião, que acontecerá no período da tarde, é elaborar ações para trazer “maior segurança” aos consumidores nos mercados interno e externo e, também, avaliar a extensão dos problemas denunciados no âmbito da Carne Fraca.

Depois do encontro, Temer e o ministro da Agricultura podem receber representantes da União Europeia para discutir o tema. Na próxima segunda-feira (20), outro encontro está agendado: uma reunião, também no Palácio do Planalto, com embaixadores de países importadores da carne brasileira.

Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil exporta carnes para cerca de 160 países. O governo brasileiro está receoso com a possibilidade de fechamentos de mercados após a revelação das irregularidades.
Vários importadores da carne brasileira já cobraram explicações sobre as descobertas da Operação Carne Fraca.

A operação
Deflagrada nesta sexta-feira (17) pela Polícia Federal, a Carne Fraca investiga fraudes em carnes produzidas por 21 frigoríficos, vendidas no Brasil e no exterior.

A operação atingiu algumas das principais empresas do setor, como a BRF, que controla a Sadia e a Perdigão, e a JBS, responsável pelas marcas Friboi e Seara. Os grupos garantem a qualidade de seus produtos.
Segundo a Polícia Federal, fiscais do Ministério da Agricultura recebiam propina para liberar licenças sem realizar a fiscalização adequada nos frigoríficos.

A investigação indica que eram utilizadas substâncias químicas para maquiar carne vencida, e que água era injetada nos produtos para aumentar o peso.

Durante a operação, a Polícia Federal prendeu 36 pessoas até a noite deste sábado (18). Dois suspeitos estão foragidos.

Além das prisões, a Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 1 bilhão das contas bancárias das 46 pessoas investigadas, e o Banco Central informou o bloqueio de pouco mais R$ 2 milhões.

Já o Ministério da Agricultura anunciou que 33 servidores da pasta foram afastados em decorrência da investigação. A pasta também interditou três frigoríficos, localizados em Goiás, Santa Catarina e Paraná.

Fiscalização ‘rigorosa’
Em resposta à Operação Carne Fraca, o Ministério da Agricultura classificou neste sábado as irregularidades envolvendo 33 servidores da pasta como “pontuais” e afirmou que o Serviço de Inspeção Federal do Brasil é um dos “mais eficientes e rigorosos do mundo”.

O Ministério declarou ainda que o sistema de proteção e fiscalização está funcionando “plenamente” e serve de garantia ao consumidor “da qualidade dos produtos de origem agropecuária” no Brasil.

Fonte: RÁDIO ATUAL FM