Chapecó | 15.03.2017 | 14h31 Geral

Suspeita de mandar matar a família em São Gonçalo é presa e levada para a Divisão de Homicídios

Simone Gonçalves, que estava foragida, foi capturada no interior do Espírito Santo. Segundo a polícia, ela tramou o assassinato da irmã para ficar com herança do pai.

Mulher apontada pela polícia como a mandante do assassinato da própria irmã, do cunhado e da sobrinha em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, chegou à Divisão de Homicídios, em Niterói, no fim da manhã desta quarta-feira (15).

Simone Gonçalves Resende, de 46 anos, estava foragida e foi presa em Mimoso do Sul, no interior do Espírito Santo, e transferida para o RJ nesta manhã. Outros três envolvidos no crime, dois deles filhos de Simone, já estavam presos. Um quinto suspeito de participação no caso, identificado como Gabriel Botrel de Araújo Miranda, ainda é procurado pela polícia.

De acordo com o delegado titular da DHNSG, Simone seria ouvida novamente sobre o crime ainda nesta quarta-feira antes de ser levada para sistema prisional. "Queremos esclarecer alguns pontos e daqui ela vai pro Complexo Penitenciário" , afirmou Fábio Barucke.
O delegado também aguardava a apresentação de um taxista, detido em Campos, no Norte Fluminense, que é suspeito de ter auxiliado Simone a fugir após a Justiça decretar a sua prisão.

Triplo homicídio
O crime aconteceu na madrugada de 17 de fevereiro. Criminosos armados invadiram o apartamento da família no Bairro Vermelho, em São Gonçalo, e atiraram contra as três vítimas. Soraya Gonçalves Resende, de 38 anos, e a filha, Giovanna Resende Salgado, de 10 anos, já estavam mortas quando a polícia chegou ao local.

Já Wagner da Silva Salgado, 43 anos, que era diretor de eventos e conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio (OAB-Rio) chegou a ser levado com vida para o hospital. Atingido por três tiros na cabeça, ele acabou não resistindo aos ferimentos.

Simone estava foragida e foi localizada no interior do Espírito Santo. Ela foi transferida na manhã desta quarta-feira (15) para a Divisão de Homicídios em Niterói (Foto: Bruno Albernaz/G1)

Ganância motivou o triplo homicídio
Para a polícia, Simone planejou o assassinato da família porque não queria dividir com a irmã Soraya a herança deixada pelo pai no valor estimado de R$ 7 milhões. O espólio inclui imóveis em Búzios, na Região dos Lagos, e terrenos em São Gonçalo, além de um terreno onde funciona um posto de gasolina, que rende R$ 14 mil por mês.

Para executar os parentes, Simone contou com a participação direta dos filhos, os gêmeos Matheus e Lucas. Ambos foram presos pouco depois do crime. Em depoimento à polícia, Matheus confessou ter acompanhado os atiradores contratados pela mãe. Um dos homens contratados foi Diego Moreira da Cunha, de 23 anos. Ele foi preso em Araruama.

De acordo com o delegado Fábio Barucke, titular da DHNSG, a polícia ainda tenta localizar e prender um quinto envolvido no crime, também contratado para executar a família.

"Agora nós vamos tentar, mais uma vez, prender o Gabriel Botrel se o advogado não cumprir a promessa de entregá-lo e analisar os documentos para no máximo em dez dias encaminhar esse inquérito para a justiça para pedir a prisão preventiva. E certamente todos serão presos e encaminhados para serem julgados na justiça de São Gonçalo. Eles vão responder por qualificado, triplo homicídio, isso é cadeia para mais de 60 anos," diz o delegado.

Com a morte de Soraya, Simone acreditava que passaria a ser a única herdeira dos bens do falecido pai. Porém, como o cunhado chegou a ser socorrido com vida, automaticamente a parte da herança que caberia à mulher passa a ser de direito da família dele.
Frieza de Simone levantou suspeitas

Simone chegou a prestar depoimento à DHNSG na semana em que o crime ocorreu. Segundo agentes da unidade, a frieza de Simone impressionou os investigadores do caso. Durante as três horas em que foi ouvida naquela ocasião ela não teria se mostrado abalada com o assassinato dos parentes.

O delegado Fábio Barucke destacou à época que os investigadores descobriram que Simone participava de rituais de magia negra.
"Isso começou a chamar nossa atenção quando encontramos dentes jogados no chão do imóvel onde o crime aconteceu, próximos às vítimas. Nenhum dos matadores saiu de lá ferido, logo não poderiam ser deles. Por meio de pesquisas, descobrirmos que, dentro dessa prática religiosa, dentes significam posse. Ou seja, o gesto de lançar dentes no chão do imóvel teria valor simbólico - significaria que estavam tomando posse daquele apartamento", disse Barucke.




Fonte: G1