Chapecó | 13.05.2019 | 17h20 Economia

Santa Catarina é o sexto Estado mais inovador do país

Entre todos os Estados do país, Santa Catarina é o sexto mais inovador. É o que mostra o Índice de Inovação, feito pela Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Antes de SC, aparecem Rio Grande do Sul (5º), Rio de Janeiro (4º), Distrito Federal (3º), Paraná (2º) e São Paulo (1º). Acre, Maranhão e Tocantins aparecem no fim da lista.

Apesar de o índice ter sido feito por uma federação de indústrias, o resultado reflete o Estado como um todo, e não apenas a inovação no setor industrial. Nesse sentido, na avaliação do presidente da Associação de Empresas de Tecnologia (Acate), Daniel Leipnitz, pelos critérios adotados na pesquisa a colocação de SC condiz com o cenário atual do Estado.

— No que tange a parte de investimento público, que a gente deve ter ficado muito pra baixo, em relação a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc), por que temos verba limitada, por exemplo, e isso acaba nos prejudicando bastante. Também acredito que o resultado deve ter sido influenciado pelo tipo de indústria que nós temos aqui no Estado, que são as de transformação — avalia Leipnitz.

A pesquisa, divulgada neste domingo, apresenta um conjunto de indicadores que representam os aspectos e as capacidades essenciais para o desenvolvimento dos Estados. Dividido em duas grandes áreas — índice de capacidades e índice de resultados —, o levantamento pontua a performance dos Estados em oito aspectos diferentes.

Na avaliação geral, em cinco dos oito pilares avaliados, Santa Catarina ficou entre as primeiras cinco colocações. Nos demais setores, o Estado ficou em 10º, 12º e 16º lugar na avaliação da federação.

Leipnitz reforça que, para avançar posições nesse ranking, é preciso de fato investir em ciência e tecnologia e que isso inclui até a questão de infraestrutura em telecomunicações, que costuma ficar para traz.

— Os prejuízos são no sentido de que se os investimentos diminuem, cai, teoricamente, a criação de novos negócios, diminui a infraestrutura para poder acomodar novos negócios. Tudo isso é levado em conta. As empresas que precisam se desenvolver, nesse sentido, é uma variável limitadora. Não quer dizer que as pessoas não venham para cá, é que fica limitado a questão do desenvolvimento — alerta o especialista.

Primeiro lugar em registro de patentes

Conforme a pesquisa, Santa Catarina é o terceiro melhor Estado quando são avaliadas as competências no índice de resultados. Neste recorte do levantamento, o Estado foi destaque entre os demais em relação a propriedade intelectual na indústria, conquistando o primeiro lugar. De acordo com a Fiec, Santa Catarina lidera o ranking com 85 patentes por milhão de habitantes.

Ainda no índice de resultados, o Estado também tem bom desempenho no que se refere a intensidade tecnológica da estrutura produtiva, ficando no terceiro lugar, e em competitividade global em setores tecnológicos, na quinta posição. Por fim, dentro desse índice, o Estado é 12º no ranking quando se observa o desempenho em produção científica.

Dados abertos disponibilizados pela Fiec mostram que, em 2017, SC registrou 245 publicações para cada um milhão de habitantes. No Distrito Federal, por conta da movimentação na universidade local, esse total é de 529 por milhão de habitantes.

Investimento público no setor deixa SC em 10º

Já no índice de capacidades, o Estado é o oitavo colocado no ranking geral. Entre os destaques nessa parte da pesquisa, estão as atividades ligadas a infraestrutura de telecomunicações e também a qualidade da pós-graduação, que SC ficou em quinto lugar, respectivamente. Ainda conforme o levantamento, na inserção de mestres e doutores na indústria, SC está na 16º lugar.

— Até pouco tempo ainda não se permitia que professores pudessem atuar na indústria, no mercado, em paralelo com a universidade. No Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) nos Estados Unidos, os professores, por três meses ao ano, não recebem salário e vão para fora, prestam consultoria, atuam no mercado, são incentivados a serem sócios dos alunos. Aqui o nosso mindset (forma de pensar) ainda não favorece essa integração — pondera Daniel Leipnitz, presidente da Associação de Empresas de Tecnologia (Acate).

Já nas questões relacionadas ao investimento público em ciência e tecnologia o Estado ficou em 10º lugar. De acordo com a Fiec, ao longo de todo 2017, o governo catarinense teria investido R$ 32 milhões na área — cerca de 0,14% de todas as despesas. São Paulo, primeiro colocado nesse indicador, investiu R$ 1 bilhão, o equivalente a 0,55% de todas as despesas.

O que foi analisado em cada índice

Índice de Resultados - 3º lugar geral
Propriedade Intelectual na Indústria (1º lugar): indicador avalia patentes per capita. Ao todo, Santa Catarina lidera o ranking com 85 patentes por milhão de habitantes. Em segundo lugar aparece o Paraná e, em 27ª, está Rondônia.

Intensidade Tecnológica da Estrutura Produtiva (3º lugar): indicador avalia a participação do emprego em setores de média-alta e alta intensidade tecnológica no total dos vínculos empregatícios em cada Estado. O Amazonas lidera entre os demais Estados. Roraima está em último lugar.

Competitividade Global em Setores Tecnológicos (5º lugar): indicador avalia a participação das exportações de média-alta e alta tecnologia no total das exportações e a diversidade dos produtos tecnológicos exportados. São Paulo aparece em primeiro lugar e o Acre, em último.

Produção Científica (12º lugar): indicador avalia a inovação nos Estados com base em artigos científicos per capita publicados nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Em SC, foi observado, ao longo de 2017, 245 publicação para cada um milhão de habitantes. O Distrito Federal lidera frente aos demais Estados com 529 publicações para cada um milhão de habitantes. Maranhão está em último na lista.

Índice de Capacidades - 8º lugar geral
Infraestrutura de Telecomunicações (5º lugar): indicador avaliam o número de contratos de banda larga de alta velocidade por habitante (per capita) e o número de contratos de telefonia móvel per capita. O Distrito Federal lidera a lista e o Maranhão aparece em último lugar.

Qualidade da Pós-Graduação (5º lugar): indicadores avaliam a oferta de mão-de-obra qualificada com base em titulados per capita em cursos de pós-graduação nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática e nas notas CAPES dos cursos de pós-graduação. Nessa avaliação, o melhor desempenho foi observado no Rio de Janeiro e o pior no Maranhão.

Investimento Público em Ciência e Tecnologia (10º lugar): indicador avalia as despesas com Ciência e Tecnologia como porcentagem das despesas totais. Em SC, ao longo de 2017, a federação calcula que houve investimento de R$ 32 milhões (0,14% do total de despesas). O Estado que mais investe em Ciência e Tecnologia, conforme a pesquisa, é São Paulo, com aplicação de R$ 1 bilhão no setor (0,55 do total de despesas). Já o que menos investe é o Rio de Janeiro.

Inserção de Mestres e Doutores na Indústria (16º lugar): indicador avalia o total de mestres e doutores como porcentagem do total de trabalhadores na indústria. O Rio de Janeiro lidera entre os demais Estados e Roraima aparece na última posição.

Foto: Lucas Correia / BD / DC

Fonte: NSC total