Coronel Freitas | 31.12.2018 | 12h27 Geral

Retrospectiva: Coronel Freitas a terra dos casamentos e da fertilidade 2018

Um ano em que muitos casaram, milhares de bebês nasceram e outros tantos catarinenses partiram. Os pontos-chave da vida têm número definido em 2018, pelo menos nas contas dos registros feitos pelos cartórios de Santa Catarina. Confira o levantamento do Caixa de Dados a partir da base alimentada pela Associação Nacional de Registradores de Pessoas Naturais.

Em 2018, a retomada da economia é uma das explicações para o aumento de casamentos e nascimentos em relação aos anos anteriores. Mas mais óbitos também foram foram registrados pelos cartórios. Em algumas cidades, nascer e morrer teve a mesma intensidade, quando se compara a taxa por mil habitantes.

Sabe qual é o mês em que mais nascem bebês? E quando mais se casa? Os dados dos cartórios também revelam. Acompanhe nos gráficos e nos mapas a seguir:

Sem crise: índice de casamentos cresce em 2018 no Estado
Desde 2015, quando se escalava o pico da crise econômica, Santa Catarina não registrava tantos casamentos. Foram 29.436 matrimônios, 4,72% a mais do que no ano anterior. E isso que os dados de dezembro deste ano ainda podem estar incompletos, dependendo do envio por parte dos cartórios.

Esse é o motivo pelo qual ainda não é possível afirmar se no Brasil houve queda em relação ao ano passado. No país, o total de casamentos por ano vinha crescendo desde 2015. Mas os dados disponíveis até o momento indicam queda neste ano.

Onde mais gente se casou em Santa Catarina

Há algo no ar em Coronel Freitas, no Oeste catarinense. E há quem diga que é amor. A cidade de 10 mil habitantes teve o mais alto índice de casamentos em 2018 em Santa Catarina. Foram 255 matrimônios, o que resulta numa taxa de 25 para cada mil habitantes. Bem atrás vêm Lajeado Grande (13,22), Bandeirante (10,34) e Botuverá (10,25).

Para se ter ideia, nos três maiores municípios do Estado esse índice ficou em 5,61 em Joinville, 4,37 em Blumenau e 2,96 em Florianópolis. Por outro lado, em Ponte Alta do Norte, no Meio-Oeste, houve apenas um casamento entre os 3.408 moradores, o que resultou numa taxa de 0,29 por mil habitantes.

Dezembro é o novo mês das noivas

Apesar de chamarem maio como o mês das noivas, a maior incidência de casamentos realizados no Estado é em outra época, pelo menos nos últimos quatro anos. É entre outubro e dezembro que são mais celebrados.

Como os dados dos cartórios referentes a dezembro deste ano ainda podem estar incompletos, é novembro que tem o total mais expressivo: 3.319 matrimônios realizados. Em 2017 e 2016, foram mais de 3 mil uniões oficializadas apenas em dezembro.

É a crise, de novo: taxa de nascimentos voltou a crescer em SC e no Brasil

A população catarinense esteve mais fértil em 2018. Foram pelo menos 20,90% a mais de nascimentos do que no ano passado, com 103.097 bebês. No Brasil, a fertilidade deu um salto ainda maior: 50,57%. Foram 3,1 milhão de crianças.

Coronel Freitas: a terra da fertilidade

Coronel Freitas realmente teve algo de especial neste ano. Além de ter registrado a maior proporção de casamentos, a cidade do Oeste teve a maior taxa de nascimentos de Santa Catarina. Os 502 bebês nascidos entre os 10.022 habitantes representam uma taxa de 50,09 para cada mil moradores, quase o dobro das segunda e terceira colocadas: Ipuaçu (26,32) e Rio do Sul (26,25).

Nas três maiores cidades do Estado, as taxas foram similares, mas bem mais baixas: 16,71 nascimentos por mil habitantes em Florianópolis, 15,34 em Joinville e 13,32 em Blumenau. A Grande Florianópolis e o Alto Vale do Itajaí tiveram as taxas mais baixas de nascimento, em média. Já Oeste, Meio-Oeste e Norte tiveram os índices mais expressivos.

Culpa do inverno: crianças nascem mais entre fevereiro e abril

Em 2018, as crianças nasceram mais em abril. Nos últimos quatro anos, fevereiro e março foram mais frequentes. Se retroceder nove meses para calcular a época média em que os bebês foram concebidos, chegamos ao fim do outono e início de inverno, período em que tradicionalmente as temperaturas são mais baixas no Estado. Atrativo turístico e característica natural de Santa Catarina, o frio parece ser um cenário motivador.

Óbitos também tiveram alta em 2018
Como parte do ciclo da vida, para muitos, 2018 significou o fim da trajetória. Foram registrados 37.982 óbitos nos cartórios do Estado, 8,8% a mais do que em 2017. No Brasil, ocorreram mais de 1 milhão de mortes no período, quase o mesmo patamar do ano anterior.

Não é possível, entretanto, estabelecer as causas de imediato. Isso porque a base pública do Ministério da Saúde, o DataSUS Tabnet, ainda não tem dados compilados de 2018 e apenas informações preliminares de 2017.

Em 2015 e 2016, no entanto, as principais causas foram doenças do aparelho circulatório, tumores, doenças do aparelho respiratório e causas externas, como acidentes. Juntos, esses males causaram 72% dos óbitos daqueles anos.

Óbitos por mil habitantes

Em 2018, a taxa de mortes por mil habitantes foi maior em cidades do Extremo-Oeste, Alto Vale do Itajaí e Meio-Oeste. No Litoral estão as taxas mais baixas. O maior índice é de Rio do Oeste, no Alto Vale do Itajaí. Foram 80 mortes entre os 7.456 moradores: 10,73 para cada mil habitantes. A cidade é seguida de perto por Ponte Alta do Norte (10,56 por mil) e Presidente Nereu (10,04).

No outro extremo está Jupiá, com apenas uma morte entre os 2.110 moradores (0,47 por mil habitantes). Curiosamente, cidades como Ponte Alta do Norte, Campo Erê e Dionísio Cerqueira estiveram à frente do ranking nos dois extremos da vida: nascimento e mortes.

Mais despedidas no inverno

Nos últimos quatro anos, a maioria das mortes em Santa Catarina ocorreram entre junho e agosto, período das mais baixas temperaturas no Estado. Em 2018, julho teve a maior soma: 3.915 dos óbitos registrados nos cartórios do Estado. A mortes entre junho e agosto representam 29,7% do total deste ano.

Ao associar com o dado histórico do SUS sobre as causas de mortalidade em Santa Catarina, uma explicação se torna plausível. No frio, pessoas com problemas circulatórios e respiratórios estão mais vulneráveis. No inverno, o risco de infarto é até 30% maior, além de aumentar as chances de problemas na circulação do sangue, pois os vasos sanguíneos se comprimem.


Fonte: NSC total