Chapecó | 06.03.2018 | 15h16 Economia

Regras no Brasil toleram presença de salmonela no frango

A União Europeia (UE) é mais rigorosa que o Brasil com relação ao controle da bactéria salmonela na produção de aves, mas isso não significa que o método adotado por aqui seja ineficiente, segundo especialistas.

A salmonela é uma bactéria comum que faz parte da flora intestinal de seres humanos e de animais. Há, no entanto, dois tipos de maior preocupação para a saúde pública: a Salmonella typhi, que leva a infecções sistêmicas; e a Salmonella Typhimurium, um dos agentes causadores das gastrenterites (inflamações no estômago e no intestino).

Quem se contamina com esses tipos de salmonela pode sentir náuseas, dores abdominais, dores de cabeça e diarreia. No limite, a contaminação pode levar à infecção generalizada.

No Brasil, a fiscalização vai no sentido de reduzir a quantidade de bactérias presentes nos alimentos e há tolerância para a presença do micro-organismo em amostras. Já na Europa, não há um limite permitido para a salmonela.

Nesse sentido, a operação Carne Fraca prendeu dez envolvidos suspeitos de fraudar laudos para exportação da BRF Brasil Foods, incluindo o ex-diretor-presidente da empresa.

A operação é sobre o conteúdo técnico dos laudos da carne mandada para fora do Brasil - e não tem a ver especificamente com o consumidor brasileiro. Por isso, Ministério da Agricultura e associação de produtores de franco garantiram que as irregularidades não causam riscos por aqui.

Especialistas explicam as diferenças na fiscalização entre países do bloco e os órgãos brasileiros.

As regras no Brasil:

Há um processo de controle de carcaças, quando o frango está prestes a ser rotulado.
A frequência da coleta depende de acordo com a quantidade da produção. Por exemplo, a empresa que abate de 100 a 200 mil frangos por dia deverá retirar as amostras diariamente.
Serão 51 amostras coletadas, das quais 12 podem conter salmonela - cerca de 23% de tolerância.
No caso da análise por lote embalado, serão coletadas 5 amostras e apenas 1 poderá conter o micro-organismo (20%).

As regras na União Europeia:

Para importação e para o mercado interno, os europeus exigem que os lotes passem por uma coleta de cinco amostras. No entanto, não pode haver a detecção de salmonela em nenhum deles.
De acordo com Humberto Cunha, gerente de qualidade de um abatedouro de frango em Minas Gerais que exporta para a UE, os padrões exigidos pelo Brasil e pelo grupo econômico são mesmo diferentes.

Fonte: G1