Chapecó | 07.06.2019 | 14h01 Saúde

Queimaduras estão entre as principais causas de morte infantil em Santa Catarina

Nesta quinta-feira (6) é celebrado o Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras, a data serve para reforçar a importância de se dar atenção a números alarmantes. A Sociedade de Queimaduras de Santa Catarina estima que esta é a terceira principal causa de morte infantil no Estado. As ocorrências são normalmente resultado de segundos de descuido que geram marcas para toda a vida.

Roney de Oliveira (34) é um dos pais que viveram essa situação. O filho dele queimou 30% do corpo com café. Um pequeno descuido da mãe que enquanto lavava a louça não viu o bebê de apenas um ano e quatro meses puxar o bule de cima do balcão.

O menino passou 14 dias internado no Hospital Infantil e precisou passar por uma cirurgia para colocação de um enxerto de pele no ombro. Em 19 de abril o acidente completou dois anos e apesar de hoje o pequeno nem lembrar do ocorrido, o pai guarda lições inesquecíveis.

— A gente sempre acha que isso não vai acontecer conosco. É só quando chegamos no hospital que percebemos o quanto é comum. Desde o acidente nós mudamos as coisas em casa. Antes a cozinha e a sala eram juntas, por isso as crianças não entendiam a separação do espaço. Agora temos uma divisória e deixamos claro que a cozinha não é lugar para elas — conta Roney.

O Hospital Infantil Joana de Gusmão, centro de referência neste tipo de tratamento no Estado, afirma que registrou nos primeiros três meses deste ano 44 internações por este motivo. Uma redução de 24,13% em relação ao mesmo período de 2018, quando houveram 58. Entretanto, os números não representam necessariamente uma diminuição nos acidentes. No momento a instituição conta com cinco leitos abertos para atender pacientes, pois a unidade de referência está em reforma. Em condições normais, estariam em funcionamento oito.

O presidente regional da Sociedade de Queimaduras de SC, Maurício Pereima, explica que há um perfil claro neste tipo de situação.

Crianças menores de seis anos normalmente se queimam com líquidos aquecidos e na companhia de um adulto responsável. Acima dessa idade os registros já acontecem fora de casa, fazendo fogueiras ou outras travessuras, com consequências mais graves. O álcool é o vilão dessas ocorrências.

— É uma questão cultural no Brasil, somos um dos únicos países que vendem álcool líquido, isso por que as pessoas o utilizam muito para limpeza. Os pais precisam ter em mente que este produto não deve entrar em casa que tenha crianças, inclusive em gel. As lesões envolvendo ele normalmente são de terceiro grau — adverte o médico.

Médico especializado no tratamento de queimadura infantil há 25 anos e professor universitário, Pereima comenta que há uma diminuição gradativa dos casos e ressalta também que é importante desfazer alguns mitos. Um deles é sobre a sazonalidade, uma pesquisa recente da UFSC, orientada por ele, comprovou que o período de frio não aumenta significativamente os casos em Florianópolis, por isso é importante manter a vigilância o ano inteiro.

— A queimadura não é um acidente, a gente sabe como acontece, onde ocorre e quando é mais comum. Isso é um evento prevenível - alerta Pereima.

Cuidados

- Mantenha as crianças longe da cozinha e do fogão, principalmente durante o preparo das refeições;

- Cozinhe nas bocas de trás do fogão e sempre com os cabos das panelas virados para dentro, para evitar que as crianças entornem os conteúdos sobre elas. O uso de protetores de fogão é um cuidado a mais para evitar que a criança tenha acesso às panelas;

- Evite cuidar, ficar perto ou carregar as crianças no colo enquanto mexe em panelas no fogão ou manipula líquidos quentes. Até um simples cafezinho pode provocar graves queimaduras na pele de um bebê;

- Deixe comidas e líquidos quentes no centro da mesa, longe do alcance das crianças;

- Não utilize toalhas de mesa compridas ou jogos americanos. As crianças podem puxar esses tecidos, causando escaldadura ou queimadura de contato;

Fonte: NSC total