Chapecó | 14.12.2016 | 10h43 Geral

Por que o Nacional é melhor sul-americano no Mundial desde o Corinthians?

O respeito e o carinho dos colombianos após a tragédia envolvendo a Chapecoense transformou o Atlético Nacional em uma espécie de segundo time momentâneo dos brasileiros. Quem levantar cedo para vê-los no Mundial de Clubes, porém, não vai torcer por caridade. Para além do desastre em Medellín, o time alviverde é o sul-americano mais preparado a cruzar o mundo para brigar com um europeu desde o Corinthians, último do continente a conquistar o planeta.

A estreia contra o Kashima Antlers nesta quarta, às 08h30 do horário de Brasília, é só o primeiro passo de uma caminhada que tem tudo para terminar contra o Real Madrid, no próximo domingo. Líder do Campeonato Espanhol, o time de Cristiano Ronaldo, Modric e Marcelo é favorito absoluto, mas o Atlético Nacional não é bobo e pode quebrar uma escrita recentes.

Nos últimos dez anos, só Inter (2006) e Corinthians (2012) levaram a América do Sul a um título mundial de clubes. Em todas as outras oportunidades, o representante europeu no torneio organizado pela Fifa levou. Na maioria delas, com sobras. Nos últimos anos, o Atlético-MG caiu na semifinal contra o Raja Casablanca e San Lorenzo e River Plate sequer ameaçaram Real Madrid e Barcelona. Por que, então, o Atlético Nacional poderia fazer frente ao Real?

Temporada quase perfeita
O título da Libertadores foi só o segundo na história do Atlético Nacional, que bateu Rosario Central, São Paulo e Independiente Del Vale no caminho para a conquista. A questão é que o maior torneio continental, joia da coroa que qualquer time sul-americano, não foi o único feito da equipe de Medellín em 2016.

O Atlético foi semifinalista do Apertura de seu país, disputado no primeiro semestre - caiu na semifinal, nos pênaltis, depois ter sido o segundo colocado na fase inicial de pontos corridos. No segundo semestre, em meio à preparação para o Mundial, ganhou a Copa da Colômbia e foi à final da Sul-Americana, marcada pela tragédia com a Chapecoense.

O domínio na Colômbia era tanto que o time liderou o Clausura com folga até as semifinais, disputadas no último domingo. Com a equipe principal já no Japão em preparação para o Mundial, o Atlético Nacional abriu mão do torneio, escalou seus juniores e foi goleado pelo Santa Fé na semifinal da competição.

O currículo mostra uma constância incomum de resultados. O River, campeão da Libertadores em 2015, foi só o sétimo do Campeonato Argentino, caiu antes das oitavas na Copa Argentina. No ano anterior, o San Lorenzo largou o Argentino, ficou na oitava colocação e parou nas oitavas da competição de mata-mata. O roteiro do Atlético-MG em 2013 foi parecido: oitavo no Brasileiro e eliminado nas oitavas da Copa do Brasil.

Estrelas mantidas
Todas as conquistas descritas acima têm uma explicação básica. As principais estrelas do título continental foram mantidas. Borja, o centroavante que fez cinco gols entre semifinais e finais da Libertadores, ficou para ser artilheiro do Campeonato Colombiano e peça-chave na campanha do vice-campeonato da Sul-Americana.

Como ele, também ficaram Mcnelly Torres, Berrío e Guerra, outros destaques da campanha vitoriosa do Atlético Nacional na Libertadores. A maior perda foi Marlos Moreno, um dos pilares do quarteto ofensivo do time, que foi negociado com o Manchester City (posteriormente repassado por empréstimo ao La Coruña).

Mais que isso, todos seguem em boa fase. Em 2013, por exemplo, o Galo conseguiu manter Ronaldinho, Diego Tardelli, Jô e outros destaques do time campeão da Libertadores. Nenhum deles estava, no entanto, vivendo seu melhor momento, fator fundamental para a queda frustrante diante do Raja Casablanca na semifinal.

Estilo de jogo
O Atlético Nacional não ganhou a Libertadores por conjuntura. Nos dois últimos anos, San Lorenzo e River Plate levaram a Libertadores sem encantar, por vezes batendo adversários mais fracos no caminho de títulos inesperados até por suas próprias torcidas.

Em 2013, o Atlético-MG teve vários momentos de brilho, mas a campanha de Ronaldinho Gaúcho e companhia foi mais marcada pela emoção que pelo futebol vistoso. O Nacional, ao contrário, surpreender pela qualidade. Bateu o São Paulo com toque de bola, infiltrações e movimentação e manteve o ritmo no segundo semestre.

Fonte: UOL