Chapecó | 13.11.2019 | 18h14 Polícia

PF faz operação contra tráfico internacional de drogas e armas no RS, SC e MS

A Polícia Federal realizou na manhã desta quarta-feira (13) uma operação contra três grupos suspeitos de atuar no tráfico internacional de drogas e de armas em quatro cidades do RS, em SC e no MS. De quatro mandados de prisão preventiva, dois foram cumpridos.

Entre os dois que ainda são procurados, está um homem que é considerado chefe da organização em São José do Norte.

Outras três pessoas foram presas em flagrante por porte de arma.

Foram cumpridos ainda 23 mandados de busca e apreensão. As cidades onde a operação ocorreu são São José do Norte, Rio Grande, Chuí e Porto Xavier, no RS, Camboriú, Santa Catarina, e Bonito e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.

Fora da operação, os policiais federais também cumpriram um mandado de prisão da Justiça Estadual de Mostardas e um mandado de prisão por descumprimento de prisão domiciliar.

Conforme a PF, a operação começou em março deste ano, quando duas pessoas foram presas pela Brigada Militar em Rio Grande ao trazerem um fuzil do Uruguai. No decorrer da investigação, a polícia identificou que a arma era parte de um pagamento pela remessa de cocaína que iria para o país vizinho.

A PF informou que o grupo possuía ligação com traficantes de Bonito, no Mato Grosso do Sul. Os suspeitos pegavam drogas na Bolívia e enviavam ao Rio Grande do Sul, para serem distribuídas em cidades da Região Sul do estado e no Uruguai.

Para estabelecer o domínio na região, a organização criminosa ostentava armas de grosso calibre em vídeos compartilhados nas redes sociais, e ameaçava moradores de São José do Norte.

Áudio ajuda na investigação
Em um áudio, divulgado pela PF, um homem diz que todos os proprietários de imóveis da cidade devem informar para a quadrilha para quem vão alugar suas casas e apartamentos. Ele é considerado o chefe da organização.

"O proprietário, dono, quem for, que tiver uma casa para alugar, seja para qualquer tipo de pessoa, casa, kitnet, qualquer coisa, se alugar sem passar por nós, caso lá na frente esse inquilino venha prejudicar a população de São José do Norte, ou venha fazer alguma coisa, a responsabilidade vai ser de quem alugou de não ter nos informado que alugou para tal pessoa. Então, olhem bem para quem vão alugar", diz o homem no áudio.

As ameaças eram feitas para evitar que integrantes de quadrilhas rivais passassem a morar em São José do Norte. Nos últimos dois anos, 48 pessoas foram assassinadas na cidade.

A Polícia Federal diz que os crimes têm relação direta com a atuação da quadrilha. "Isso revela o perigo de se deixar uma quadrinha como essa chegar ao ponto de ofender o poder estatal, ameaçando moradores para que não aluguem imóveis", relata o delegado responsável pelo caso, Gabriel Figueiredo Leite.

O delegado Gabriel destaca que o esquema era todo comandado por São José do Norte. Segundo ele, a escolha da cidade não foi por acaso. "É um local que dificulta a ação policial, por sua questão geográfica e por ser de difícil acesso. A proximidade de um porto marítimo também pode ser um atrativo para as quadrilhas de tráfico de drogas", diz.

Fonte: G1 Santa Catarina