Chapecó | 15.09.2020 | 13h13 Saúde

O Brasil está a caminho do fim da pandemia? Entenda o cenário atual

O Brasil apresenta queda na média móvel de mortes por covid-19 há duas semanas, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde. Na semana epidemiológica 35 (de 23 a 29 de agosto) a queda foi de 12% em relação a semana anterior: passou de 1003 para 887. Já na semana 36 (de 30 de agosto a 5 de setembro) a média caiu 8,2% - de 887 para 820.

Por outro lado, a média móvel de casos se mostrou instável nesse mesmo período: diminuiu 1% na semana 35 (de 37.895 para 37.684) e aumentou 4,7% na semana 36 (37.684 para 39.550).

A queda no número de mortes vem após o Brasil passar três meses em uma estabilidade - chamada platô - com média de 1000 óbitos por dia, lembra o infectologista Carlos Fortaleza, professor do Departamento de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp). De acordo com ele, os dados indcam uma melhora no cenário atual da pandemia, mas ela é frágil e pode mudar a qualquer momento.

"Nós [especialistas] achamos que a situação está de fato progredindo. Mas essa melhora está muito lenta, ao contrário do que foi visto em outros países ou mesmo Estados, como Pará e a cidade de Manaus", analisa. "Temos que entender que é uma estabilidade com lenta tendência à queda", resume.

De acordo com ele, se essa linha reta que representa a estabilidade for analisada com uma lupa, será possível perceber que ela, na verdade, é composta por descidas e subidas que se alternam em diferentes momentos e regiões.

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) faz essa mesma avaliação em seu boletim epidemiológico das semanas 35 e 36, divulgado no último sábado (12).

"O país apresenta uma ligeira tendência de queda no número de óbitos, mas a manutenção em patamares ainda altos do número de casos notificados. Esse padrão tem sido extremamente variável nas UFs [unidades da federação], que em geral apresentam estabilidade ou queda pouco acentuada da incidência [número de novos casos em um intervalo de tempo]", aponta a instituição.

"Não podemos tirar [dessa situação] nenhum discurso triunfalista, do tipo 'já vencemos a covid-19', É possível que diante de descuidos, como no feriado de 7 de setembro tenha alguns aumentos [de casos]", destaca Fortaleza.

O especialista acrescenta que, no contexto do Brasil, esse aumento no número de pessoas infectadas sequer poderia indicar uma segunda onda, pois sequer foi alcançado o controle da primeira onda de contágios. "Seria uma mudança na curva, uma subida", descreve.

Ele afirma que a situação de estabilidade com tendência à queda está amparada em dois pilares: imunidade coletiva - ou de rebanho - e adoção de medidas de prevenção para frear a disseminação do novo coronavírus por parte da população, mas este alicerce é muito instável.

"Se sustenta com parte das pessoas se cuidando, ou seja, adotando o distanciamento social, medidas de higiene, evitando aglomerações e a outra parte, que está muito exposta ao vírus, porque precisa trabalhar, imune", compara.

"Qualquer mudança [no comportamento das pessoas] pode gerar um aumento novo", enfatiza.

Fortaleza também ressalta que esse "equilíbrio instável" pelo qual o Brasil está passando pode ser observado pela variação na taxa de transmissão do coronavírus, que indica quantas pessoas podem ser infectadas por alguém que está com o vírus.

Na pimeira semana deste mês a taxa caiu de 1 para 0,94, o que mostra uma desaceleração na velocidade com que o vírus estava se espalhando. Entretanto, na semana seguinte, voltou a subir para 1.

"Essa dança ao redor do um é que é frustrante. Tem dias que a pessoa está transmitindo para mais que um e depois para menos. Por isso que [a curva de contágio] pode cair e subir abruptamente", avalia.

O infectologista pondera que o comportamento da pandemia no Brasil está diretamente relacionado ao modo como as medidas de restrição para conter o avanço do novo coronavírus foram implantadas. Da mesma maneira, o afrouxamento dessas regras vai determinar qual será o panorama no futuro.

"Se a flexibilização foi feita em cada lugar de maneira diferente, foi porque não houve uma coordenação do Ministério da Saúde e os Estados se viraram como puderam", conclui.

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Fonte: R7.COM