Chapecó | 09.12.2016 | 20h02 Geral

No "Encontro", mãe do goleiro Danilo desabafa: "É o abraço que vai me deixar forte e em pé"

Cena de Dona Ilaídes abraçando repórter do SporTV dias depois do acidente com o avião da Chapecoense emocionou o Brasil.

Quando Dona Ilaídes perguntou ao repórter do SporTV como ele se sentia, invertendo a entrevista e lhe dando um abraço, mostrou a força e a sensibilidade de uma mãe. Nesta sexta-feira, a mãe do goleiro Danilo, morto na tragédia da Chapecoense, participou do programa "Encontro com Fátima Bernardes", da Rede Globo, e contou como distribuir abraços e ouvir as pessoas tem servido de ajuda para encarar a morte do filho.

Enquanto o Brasil se emocionava com o acidente de avião que matou 71 pessoas no dia 29 de novembro, entre elas jornalistas e jogadores da Chapecoense, Dona Ilaídes, ao ser entrevistada na Arena Condá quatro dias depois da tragédia, perguntou ao repórter Guido Nunes, do SporTV.

— Agora eu posso fazer uma pergunta? Como vocês, da imprensa, estão se sentido?

Em seguida, abraçou o jornalista.

Fátima Bernardes disse que, depois desse momento, ficou com muita vontade de conhecê-la.

— Foi um dos gestos mais bonitos, mais generosos, que a gente pode acompanhar de alguém que passava por um momento de tanto sofrimento — elogiou a apresentadora.

No "Encontro", Dona Ilaídes assistiu ao depoimento da mãe do repórter Guido Nunes, Andreia Nunes, que a agradeceu pelo carinho e conforto que deu ao filho.

— Estou amando a oportunidade de te agradecer por abraçar e secar as lágrimas do rosto dele — disse Andreia.

Dona Ilaídes admitiu que abraçar o repórter foi uma forma de abraçar o próprio filho. E chegou a pedir desculpa por tê-lo emocionado enquanto fazia uma transmissão para a TV.

— Eu não tinha mais meu filho para abraçar. E graças a Deus ela tem. Eu gostaria de pedir desculpa para ele porque emocionei ele num momento em que ele estava trabalhando. Eu não tinha esse direito.

Ela contou que, no dia que abraçou o repórter na Arena Condá, dividia a dor da morte de Danilo com a nora. As duas estavam em uma situação aflitiva. Por isso, decidiu andar pelo gramado à procura de integrantes de uma rádio que costuma ouvir. Um dos comentaristas morreu no acidente junto com Danilo. Ela queria abraçar alguém da equipe para dar consolo, mas não encontrou.

Saí abraçando as pessoas. A força que encontrei foi ali. Me abraça, que é o abraço que vai me deixar forte e em pé. O abraço substituiu a palavra naquele momento. Quando alguém vinha me dizer "eu não tenho palavra", eu dizia "não fala nada, só abraça".

Sem deixar cair uma lágrima, Dona Ilaídes disse que chorou tudo o que tinha para chorar, mas que se sente anestesiada, e não consegue dormir. Ela também contou que, em Cianorte, as pessoas a procuram para contar histórias pessoais e fatos relacionados a Danilo.

— A senhora fez o Brasil inteiro acreditar que é possível transformar algo muito difícil em algo que é bom para o outro. Compartilhar a dor talvez ajude um pouco a suportá-la — considerou Fátima.

Fonte: DIÁRIO GAÚCHO