Chapecó | 09.10.2017 | 11h34 Polícia

Mulher negra consulta vagas de emprego e denuncia preconceito de funcionário público de Joinville: 'não tem nada para limpeza'

Mulher negra consulta vagas de emprego e denuncia preconceito de funcionário público de Joinville: 'não tem nada para limpeza'

Uma mulher de 47 anos denunciou ter sofrido preconceito racial e de gênero no Centro Público de Atendimento ao Trabalhador (Cepat), em Joinville. O boletim de ocorrência foi registrado na sexta-feira (6) na Delegacia de Proteção a Criança, Mulher e Idoso (Dpcami) de Joinville, mas o caso ocorreu no dia 27 de setembro.

Em nota, a prefeitura de Joinville informou ao G1 que "não tolera atos racistas e que o caso será apurado pelo município".
Renata da Luz conta que, enquanto olhava, por curiosidade, uma lista de oportunidades em um balcão de atendimento do Cepat, um funcionário do local disse a ela, mesmo sem ter sido questionado: "não tem nada para a limpeza", "não tem nada para a cozinha" e "também não tem nada para costureira".

Na sequência, ela informou ao funcionário ter nível superior e formação em Design de Moda e Vestuário. Após se sentir ofendida, comunicou a uma de suas professoras de um curso do Cepat, que frequenta como aluna.

Ela ainda procurou o setor de cursos do Cepat e o coordenador pediu desculpas em nome do órgão, conforme relato em boletim de ocorrência. Segundo ela, o Cepat informou que tomaria "providências".

"Minha cliente chegou aos prantos. Após 47 anos sobrevivendo ao racismo, ela cansou", disse a advogada Júlia Eleutério, que defende a vítima com a também advogada Ana Paula Nunes Chaves.

Campanha de combate ao racismo
Em nota, a prefeitura informou que o caso foi encaminhado para a Coordenadoria de Políticas para a Juventude, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de Joinville e para o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir), para que tenham conhecimento e tomem as devidas providências.

Ainda em nota, foi informado que o coordenador de Promoção da Igualdade Racial, Paulo Júnior, diz que a Coordenadoria e o Conselho, estão planejando uma campanha de combate ao racismo neste mês de outubro para evitar este tipo de ocorrência.

Fonte: G1