Chapecó | 09.02.2019 | 19h16 Justiça

Motorista que matou jornalista na ciclofaixa em Florianópolis é condenado a sete anos pelo TJ

Após 11 horas de julgamento, o conselho de sentença do Tribunal do Júri da comarca da Capital condenou na última quinta-feira (07) o motorista Gustavo Raupp Schardosim a sete anos de reclusão, em regime semiaberto, pelo crime de homicídio com dolo eventual, além de multa de R$ 50 mil por dano moral.

Gustavo foi sentenciado porque atropelou e matou o jornalista Roger Bittencourt, além de ferir o ciclista Jacinto Florzino, em dezembro de 2015, na ciclofaixa da rodovia SC-401, em Florianópolis. O juiz de direito Renato Mastella, que presidiu a sessão, concedeu ao réu o direito de recorrer em liberdade, mas negou a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direito.

Em virtude de prisão preventiva, o motorista já cumpriu um ano e quatro meses em regime fechado. Assim, o magistrado registrou que o réu deve cumprir os cinco anos e oito meses remanescentes em regime semiaberto. Os debates entre o promotor e o advogado de defesa foram acalorados e o juiz, em determinado momento, precisou interromper a sessão por alguns minutos até os ânimos se acalmarem.

Isso porque a promotoria cobrava a aplicação de homicídio com dolo eventual, em razão de o motorista assumir o risco de beber e dirigir. Já a defesa pregava homicídio culposo, quando não há intenção de matar, com pena de dois a quatro anos. Mais de 50 pessoas acompanharam a sessão entre familiares das vítimas, do réu e jornalistas.

Segundo denúncia do Ministério Público, o condutor estava ao volante de uma Parati em visível estado de embriaguez quando perdeu o controle do carro, invadiu o acostamento e atropelou Roger e Jacinto quando ambos trafegavam de bicicleta pela ciclofaixa. A polícia também teria encontrado maconha no interior do veículo do réu.

O jornalista Roger Bittencourt tinha 49 anos na época do acidente. Natural do Rio Grande do Sul, vivia há 22 anos em Santa Catarina, onde trabalhou no grupo RBS, atuou como professor do curso de jornalismo, foi secretário de Estado de Comunicação e sócio-fundador da empresa Fábrica de Comunicação. Na época do acidente, a vítima exercia a 1ª vice-presidência da Associação Catarinense de Imprensa (ACI).

Foto: Leo Cardoso, Diário Catarinense/Divulgação

Fonte: Tribunal de Justiça