Chapecó | 09.08.2017 | 10h29 Economia

Metalurgia catarinense cresce impulsionada por exportações

O comportamento claudicante da produção industrial catarinense voltou a apontar para baixo em junho, com queda de 0,9% em relação ao mesmo período no ano passado. Não caiu mais por conta da metalurgia, que cresceu impressionantes 24% no mês impulsionada pelas exportações.

Com o ambiente doméstico ruim há anos, as empresas passaram a olhar com mais carinho para as vendas ao exterior. É o caso da Altona, de Blumenau. Depois de passar os últimos dois anos apertando os cintos, a empresa especializada na fundição e usinagem de peças de aço começa a vislumbrar a retomada.

As vendas cresceram 11,2% no primeiro semestre de 2017 na comparação com os seis primeiros meses de 2016. Entre abril e junho, o resultado operacional ficou no azul: R$ 2,6 milhões, bem diferente dos R$ 3,9 milhões de prejuízo acumulado no segundo trimestre do ano passado.

As boas notícias começaram a chegar no início do ano. Clientes, principalmente dos segmentos de máquinas, equipamentos e mineração, procuraram a empresa avisando que aumentariam as encomendas.

Parte do maquinário foi religada e a jornada reduzida – aprovada em junho do ano passado – foi encerrada. A empresa voltou a recrutar trabalhadores depois de demitir dezenas ao longo de 2016. Duzentos funcionários já foram admitidos e outros 40 serão contratados nas próximas semanas. Hoje há em torno de 780 colaboradores.

Para o presidente da companhia, Cacídio Girardi, os bons resultados se devem especialmente ao mercado externo, além do corte de gastos e da revisão de contratos com fornecedores.

– Nos preparamos para essa retomada e agora precisamos trabalhar para mantê-la – projeta Girardi.

A fabricante de peças para montadoras Zen, de Brusque, não chegou a registrar demissões em massa ou prejuízos no ano passado, e até cresceu um dígito percentual em faturamento em 2016, mesmo porcentual projetado para este ano. Entretanto, tem em comum com a Altona o fato de que o desempenho positivo em meio à crise tem sido puxado pelo mercado externo.

O CEO da Zen, Gilberto Heinzelmann, acredita que até houve alguma melhora no ambiente interno neste ano, mas reconhece que as exportações são as principais responsáveis pelos resultados no azul.

— Hoje 60% do nosso faturamento vêm do mercado externo, há três anos esse número era de 50%. Todos os anos viemos ampliando nossas exportações, até como uma maneira de contonar a situação do mercado doméstico - diz o CEO.

Fonte: DIÁRIO CATARINENSE