Criciúma | 12.04.2019 | 12h30 Esportes

Lateral da Chapecoense foi chamado de macaco por um torcedor do Criciúma

A Chapecoense se pronunciou sobre o caso de injúria racial sofrido por Eduardo após a partida contra o Criciúma, pela Copa do Brasil, na última quarta-feira (10) .

Em nota, o Verdão do Oeste condenou o ato que partiu de um torcedor do Tigre e afirmou que "não ficará inerte diante do ocorrido e lutará para que todas as medidas cabíveis sejam tomadas" ao saber que o lateral-direito foi chamado de macaco.

Confira a nota na íntegra:

Ao deixar o gramado após a partida entre Criciúma e Chapecoense, o lateral Eduardo, infelizmente, foi mais uma das vítimas do racismo. O atleta foi chamado de macaco por uma pessoa que estava na torcida adversária, mas que, certamente, não representa em nada os torcedores carvoeiros - que receberam, de forma digna e civilizada, a delegação alviverde, fazendo uma bonita festa no Heriberto Hülse.

Em sinal de respeito e apoio ao atleta e diante de um fato tão infeliz, a Associação Chapecoense de Futebol reitera o seu repúdio, de forma veemente, a qualquer manifestação de preconceito e considera incabível, retrógrado e infundado que, ainda hoje, o racismo seja uma realidade "comum" na nossa sociedade e no futebol - famoso por nos unir nas diferenças.

O clube não ficará inerte diante deste ocorrido e lutará para que todas as medidas cabíveis sejam tomadas. Racismo não é normal e está atitude não passará.

Presidente pede desculpas

O Criciúma se posicionou, também em nota oficial, com uma mensagem do presidente Jaime Dal Farra. O mandatário se desculpou pelo incidente e afirmou que também ajudará com a identificação do torcedor.

Em virtude de um fato lamentável ocorrido no jogo contra a Chapecoense, pela Copa do Brasil, na noite de quarta-feira (10 de abril), quero deixar claro que só fiquei sabendo do ocorrido, com ofensa racial ao atleta de nosso adversário pela matéria que acabei de ler.

O fato aconteceu ao final do jogo, quando eu já me retirava para o vestiário do Criciúma, assim que li, hoje a noite (11 de abril), imediatamente, solicitei aos profissionais que cuidam das imagens de segurança do estádio, que preservem todo o material para que o Criciúma possa entregar às autoridades, assim que solicitadas, para que sejam tomadas todas as providências necessárias. Esse é um fato isolado, que não representa o comportamento do torcedor e nem do cidadão de bem do povo de Criciúma.

Quero pedir em meu nome e do nosso Clube, desculpas ao atleta Eduardo, da Chapecoense, aos seus dirigentes e torcer para que as autoridades identifiquem o autor das ofensas e que essa pessoa seja punida dentro dos critérios da Lei. Temos a reta decisiva do Campeonato Catarinense e torço para que, todos os Clubes e seus torcedores, possam fazer uma grande festa.

O caso

Segundo Eduardo, um torcedor do Criciúma o chamou de macaco e até mesmo as pessoas que estavam próximas ao indivíduo reprovaram o ato. Com a cabeça quente pela ofensa, o jogador, que estava sendo entrevistado pelo repórter Tadeu Costa, da rádio Vang FM, retrucou e foi novamente xingado. Ainda conforme o lateral, um policial militar presenciou o fato, mas não interviu.

Em 2017, torcedores do Tigre já haviam criado polêmica com gritos de "ão ão ão, abastece o avião", em alusão ao acidente aéreo que vitimou 71 pessoas, entre jogadores, tripulação, comissão técnica, convidados e jornalistas, no fim de 2016. O Criciúma suspendeu a torcida organizada pelo ato.

Eduardo não registrou boletim de ocorrência. O fato também não foi relatado em súmula pelo árbitro da partida Leandro Vuaden.

Foto: Eduardo Florão

Fonte: GLOBO ESPORTE