Chapecó | 12.01.2018 | 09h26 Geral

Jovem usou WhatsApp para avisar namorado que iria se matar após briga, diz advogado

Polícia em Bertioga (SP) investiga se jovem, de 20 anos, foi vítima de homicídio. Namorado, que não é considerado suspeito, nega que a tenha matado.

O advogado do namorado de Gabrielly Teixeira Santos, de 20 anos, que foi encontrada morta em um condomínio de luxo em Bertioga, no litoral de São Paulo, vai entregar à Polícia Civil, nesta sexta-feira (12), dois áudios em que a jovem afirma que iria se matar. O rapaz, que não é considerado suspeito, já foi ouvido e negou qualquer envolvimento com o crime.

O corpo de Gabrielly foi encontrado no sábado (6) com uma corda no pescoço, pendurada, mas não suspensa, no galho de uma árvore em um matagal na Riviera de São Lourenço. A polícia investiga a possibilidade de a situação ter sido forjada para simular um suicídio. O homicídio, portanto, não foi descartado.

Para a polícia, a jovem morreu nas primeiras horas do dia 1º de janeiro. Momentos antes, ela havia se recusado a subir ao apartamento de um hotel onde se hospedaria com o namorado, de 30 anos, que além de ser DJ, também é empresário e publicitário. Eles passaram a noite de réveillon juntos em uma festa.

No evento, ela comemorava o aniversário de 20 anos e ele havia sido contratado para se apresentar como DJ. No local, testemunhas afirmam que viram a dupla brigando em diferentes oportunidades. Em depoimento à polícia, após o corpo dela ter sido localizado, o rapaz afirmou que os dois discutiram por ciúmes, mas que não a matou.

"Se essa menina foi morta, temos a certeza de que não foi por ele [pelo namorado]. Estamos com dois áudios que ela enviou ao rapaz naquela noite, via WhatsApp, avisando que ‘iria se matar’. A motivação dela ter tirado a própria vida não sabemos, mas também não foi por ciúmes", afirmou o advogado do DJ, Mario Badures.

Conforme o defensor, o DJ ajudava a namorada. "Ele arrumou emprego e até uma escola para seus estudos. Eles brigaram, como em outras ocasiões, e ele a procurou após a menina ter saído do carro. Ele não teria motivo nenhum para matá-la, pelo contrário, está com o coração partido com tudo o que aconteceu".

Os áudios serão entregues ao delegado Sérgio Nassur, responsável pelo caso e titular da Delegacia Sede de Bertioga. O advogado também informou que irá apresentar à autoridade policial os demais bens que tinham ficado com o cliente dele, depois que a jovem abandonou o carro, na madrugada do dia do ocorrido.

"Ele não acionou, de fato, a polícia nos dias seguintes, pois ela já havia feito isso antes. Ele achou que a menina tinha ido até São Bernardo do Campo (SP) encontrar uma amiga. Em outras brigas, a menina desaparecia e voltava a entrar em contato dias depois. Ele não acreditou quando soube da morte dela".


A polícia ainda tem dúvidas de que Gabrielly Santos tenha se matado. O delegado aguarda o resultado dos exames no Instituto Médico Legal (IML) e o laudo da perícia científica, que vão apontar as reais causas da morte da jovem. A autoridade policial também vai ouvir outras testemunhas do caso.

O caso
Gabrielly ficou desaparecida por seis dias, mas o namorado, conhecidos e familiares não acionaram as autoridades. O corpo dela foi encontrado por turistas que caminhavam pela Alameda do Remo, na Riviera de São Lourenço, durante a noite de sábado, após sentirem forte odor proveniente do local.

A princípio, o caso era tratado como um suicídio, uma vez que a jovem estava com uma corda amarrada ao pescoço e parcialmente pendurada em um galho de árvore em meio a um matagal. Um possível afundamento do crânio foi registrado no boletim de ocorrência, mas o fato ainda não foi confirmado pelo IML.

"O nó da corda estava embaixo do queixo dela, mas, geralmente, teria que ficar atrás, na nuca. Os pés dela também tocavam o chão e ela não estava completamente suspensa. A cena que estava ali não é padrão de suicídio, por isso foi registrado como morte suspeita", explicou o delegado.


A autoridade policial apurou, ainda, que a jovem não morava com os familiares desde os 15 anos e que passou a viver sozinha recentemente. A mãe dela é falecida e havia lhe deixado uma pensão, de onde tirava o sustento. O caso segue em investigação pela equipe da Delegacia Sede de Bertioga.


Fonte: G1