Capinzal | 19.07.2019 | 08h41 Polícia

Homem é agredido após suposta tentativa de furto em Capinzal

O Ministério Público irá apurar o caso de espancamento de um morador ocorrido na tarde desta quarta-feira (17) no centro de Capinzal. O fato ocorreu por volta das 17h30 na rua Presidente Nereu Ramos, defronte a uma agropecuária. Segundo informações, Roberto Carlos da Silva, 51 anos, precisou ser hospitalizado após ser supostamente agredido por um policial militar à paisana.

A cena revoltou moradores que consideraram a atitude de extrema covardia. Pelo menos duas pessoas testemunharam as cenas de violência em via pública. Conforme boletim de ocorrência, Roberto Carlos da Silva, conhecido por ‘Tchaca’ faz tratamento contra o alcoolismo e teria sofrido alucinações.

De acordo com a família, à tarde ele foi ao CAPS para encontro com psicólogas. Durante as atividades Silva sofreu uma crise psicótica. Ele falava com pessoas que não estavam no local, dizia que havia bichos impregnados nele e que a psicóloga havia dado uma linha para ele. A equipe do CAPS, então, entrou em contato com a família para que ele fosse levado ao hospital. A filha Cíntia Lautério da Silva foi ao encontro do pai, mas quando chegou ao local, ele já havia saído.

“Fomos em busca por Capinzal e Ouro e não encontramos. Fim da tarde recebi a ligação que ele estava todo machucado no hospital e seria transferido para Joaçaba”, comenta. Ela conta que o pai teve fratura no nariz e precisará fazer uma tomografia na próxima semana para verificar se não houve nenhum tipo de traumatismo no crânio, já que teve sangramento pelo ouvido devido às pancadas que sofreu.

Segundo testemunhas, no momento do surto, Roberto teria rodeado o carro que seria da namorada do policial e tentado abrir as portas, mas as vendedoras de uma loja perceberam que ele não parava de falar sozinho nesse ato. Conforme testemunhas, foi nesse momento que o policial, à paisana, teria atravessado a rua, se aproximado e começado a agredir a vítima, além de proferir xingamentos, dizendo que ela estaria tentando arrombar o veículo.

Após ser espancado, Silva ainda conseguiu caminhar até as imediações de uma igreja onde conseguiu ajuda de uma mulher. Ela acionou o Corpo de Bombeiros que o levou até o Hospital Nossa Senhora das Dores. Segundo a família, a violência contra Roberto fez com que ele desmaiasse por pelo menos duas vezes, uma durante a sessão de espancamento e a outra enquanto caminhava, desorientado, a procura de ajuda.

“Quando cheguei lá ele estava no estado da foto. Fizemos BO e denúncia no Ministério Público”, ressalta. Ainda segundo a filha da vítima, um popular que também presenciou o fato já teria levado o caso ao conhecimento da Promotoria Pública. A Câmara de Vereadores de Capinzal também foi informada nesta quinta-feira e deverá se reunir nas próximas horas para solicitar providências sobre o caso.

“Meu pai nunca fez mal a ninguém, nunca roubou nada, não tem uma passagem pela polícia, sempre sempre foi trabalhador, todos conhecem e sabem como ele é. O único mal que faz a ele é com esse vício pela bebida, o qual já começou o tratamento”, conclui.

Contraponto

O policial militar envolvido no fato onde um morador acabou lesionado na tarde desta quarta-feira (17) deu sua versão para o caso. Ele pediu para não ser identificado. O policial diz que está de férias e encontrava-se no apartamento da namorada, que estaria de mudança, ajudando na montagem de alguns móveis. “Aproximadamente umas quatro e meia da tarde uma senhora, que trabalha num estabelecimento abaixo do apartamento onde ela mora acabou me chamando, informando que teria um rapaz tentando forçar a porta do meu veículo, tentando arrombar a porta por uns 15, 20 minutos ele estaria ali e elas estavam com medo, estavam preocupadas, essa moça veio me chamar”, explica.

O policial ressalta que, diante da informação, desceu e foi verificar imagens das câmeras do estabelecimento que inclusive já estariam separadas para conferência. “Verifiquei e vi que realmente um cidadão estava forçando a porta do meu veículo, forçou diversas vezes todas as portas do meu veículo, com bastante força, de acordo as filmagens e de acordo com as funcionárias desse estabelecimento. Diante disso, com as características do cidadão fui dar uma volta para ver se eu o encontrava. Nesse momento, logo em frente ao apartamento, eu já o encontrei em frente a outro estabelecimento. Nisso eu não tinha certeza se era ele ou não, retornei até a loja, pediu para a mesma funcionária que o chamou para que ela o acompanhasse para ter certeza se era o mesmo que teria forçado a porta do meu veículo”, completa.

Segundo o policial, próximo ao cidadão a funcionária confirmou se tratar da mesma pessoa, retornou a loja e o policial foi em direção ao cidadão. “Eu fui em direção ao rapaz que quando me viu deu uma travada, acho que ele reconheceu meu veículo. Eu fui questionar a respeito dele estar forçando a porta do meu veículo e neste momento ele partiu pra cima de mim, nós entramos em via de fatos. Eu tive a intenção de prendê-lo em flagrante delito. Neste momento duas pessoas interviram e ele fugiu”.

O policial destaca que foi questionar a respeito de o cidadão estar forçando a porta do veículo. “Como se tratava de um flagrante delito, o que logo após ao delito e próximo caracteriza-se flagrante delito eu tive a intenção de prendê-lo”.

O policial reitera que retornou ao apartamento e foi em direção à Polícia Militar para comunicar os fatos. “Nisso, chegando na Polícia Militar, eu já tive ciência de que o rapaz estava sendo atendido pelos bombeiros e se encontrava no hospital. Diante disso eu desloquei até o hospital e fiz os procedimentos que a Polícia Militar faz de praxe. Como se tratava de um crime de flagrante delito, precisa mediante representação, eu acompanhei todos os fatos até momento em que eu e o cidadão fomos encaminhados para a delegacia de Joaçaba”, argumenta.

O policial afirma que foi vítima de uma tentativa de furto e que não identificou o problema psicológico alegado pela família da vítima. “Eu apenas senti no calor do momento que ele estava com bastante odor de álcool”, admite.

“Eu sou vítima de um tentativa de furto e eu fui tentar prender o autor em flagrante delito e acabei utilizando a força progressiva para tentar contê-lo e eu não consegui. Diante dos fatos estou sendo imputado de uma forma negativa de uma coisa que realmente eu não fiz”, reclama.

Após os procedimentos na delegacia de polícia de Joaçaba, ambos foram liberados. O comandante da 2ª Companhia de Polícia Militar de Capinzal, Capitão Cleverson Garcez, informou em nota que o policial e a vítima foram conduzidos para a delegacia detidos e o Delegado instaurou Inquérito Policial para apurar os fatos. “Serão apuradas as responsabilidades na área criminal e também administrativa”, disse.

Fonte: MICHELTEIXEIRA