Chapecó | 21.06.2019 | 17h21 Mundo

Governo dos EUA investiga YouTube por mostrar vídeos impróprios a crianças

O YouTube está sendo investigado nos Estados Unidos por seu comportamento em relação ao público infantil. Segundo o jornal The New York Times, que ouviu pessoas familiarizadas com o inquérito, o procedimento da Comissão Federal de Comércio encontra-se em estágio avançado.

A agência do governo apura denúncias, feitas por pais e entidades de defesa do consumidor, de que o site de vídeos teria coletados dados de crianças usuárias do serviço e também teria disponibilizado a esse público conteúdo adulto ou inapropriado — os vídeos inadequados apareceriam em pesquisas por conteúdo infantil ou nas recomendações feitas pelo site. Caso as denúncias sejam confirmadas, o YouTube, que pertence ao Google, pode receber multas.

O site e o aplicativo do YouTube são direcionados a pessoas a partir de 13 anos. Para quem tem menos idade, a empresa oferece o aplicativo YouTube Kids, com conteúdo filtrado. Grupos de defesa do consumidor dizem, no entanto, que o YouTube estaria coletando dados de crianças através do seu site principal, onde há presença de conteúdos infantis como desenhos animados.

Segundo as fontes do jornal norte-americano, o YouTube passou a discutir mudanças em sua política de vídeos para crianças, incluindo alteração nos algoritmos da plataforma.

— Levamos em consideração muitas ideias para melhorar o YouTube, e algumas não passam disso, de ideias. Outras são desenvolvidas e lançadas, como nossas restrições de streaming ao vivo para menores ou a atualização na política sobre discurso de ódio — disse Andrea Faville, porta-voz da empresa.

A reportagem do New York Times sobre o assunto, divulgada nesta semana, lembra que a investigação federal é o mais novo capítulo de uma série de controvérsias envolvendo o YouTube, que vem sendo atacado por supostamente não fazer o suficiente para filtrar conteúdo impróprio ou perigoso, enquanto promove vídeos que adotam pontos de vista extremistas e aplica de forma inconsistente as suas próprias regras em relação a abusos.

Em fevereiro, por exemplo, a plataforma esteve sob ataque por causa de um vídeo que mostrava como pedófilos trocavam orientações nos comentários de vídeos de crianças. Depois que marcas ameaçaram um plano de boicote ao site, a empresa prometeu desabilitar os comentários em vídeos que mostrassem menores de 13 anos. Reportagens também mostraram que o sistema automático de recomendações do YouTube sugeria vídeos de crianças seminuas a pessoas que assistiram outros vídeos em que menores apareciam em contexto comprometedor ou sexual.

Fonte: GaúchaZH