Chapecó | 05.04.2018 | 19h56 Política

Governador Raimundo Colombo (PSD) entrega carta de renúncia

O governador Raimundo Colombo (PSD) entregou na tarde desta quinta-feira ao presidente da Assembleia Legislativa, Aldo Schneider (PMDB), a carta em que renuncia ao mandato após sete anos à frente do Executivo catarinense. A renúncia passa a valer a partir das 10h desta sexta, quando Eduardo Pinho Moreira (PMDB) assume de forma definitiva.

Com um semblante sorridente, no que o próprio Colombo admitiu depois ser uma sensação de alívio por deixar as pressões de exercer o cargo, o governador chegou ao gabinete da presidência da Alesc por volta das 13h45min. Após alguns minutos de conversa reservada com Aldo e com outras lideranças do PSD, assinou e entregou a carta.

Na sequência, concedeu coletiva na sala de imprensa da Alesc, em que falou principalmente sobre o futuro político dele e do PSD.

— Eu já tinha me preparado para essa decisão (de renunciar para disputar as eleições), estava pronta dentro de mim, acho que é a melhor forma de contribuir. Meu sonho é ser candidato ao Senado e como partidário, sonho que meu partido tenha candidato, o Merisio é o candidato, quero que ele se fortaleça e que possa formar um projeto ideal partidário. Evidentemente que vai chegar o momento, e não é agora nem a curto prazo, mas sim próximo das convenções, em que vai ter um grande diálogo de todas as lideranças para o melhor projeto para SC — declarou.

O balanço do governo acabou tendo destaque menor, já que um evento para celebrar os mandatos ocorre sábado, em Lages.

— A maior conquista foi vencer a crise, que foi muito dura, a maioria dos estados ficou desarrumada e Santa Catarina foi o estado que melhor passou a crise. E a maior dificuldade foi na segurança pública, com os ataques a ônibus, a chegada do crime organizado — pontuou.

Logo após a coletiva, Colombo partiu para a última viagem com veículo oficial do Estado e todo o aparato que cerca a função de governador. Ele seguiu para Blumenau, onde acompanhou a entrega da carta de renúncia de Napoleão Bernardes (PSDB), que deixa a prefeitura local.

Logo depois, partiu para Lages para passar a noite com a mãe, que recém recebeu alta do hospital após sofrer um AVC leve. Por isso, não participará da posse definitva de Eduardo Pinho Moreira às 10h de sexta, na Alesc — que será uma cerimônia para cumprir a formalidade e a legislação, uma vez que a solenidade com ares políticos foi em fevereiro, no Centrosul, quando Colombo entrou em licença.

Neste sábado, a partir das 10h na Pousada do Sesc em Lages, ocorre um ato para comemorar os sete anos de Raimundo Colombo no governo e também lançar a pré-candidatura do pessedista ao Senado. São esperadas pelo menos 1,5 mil pessoas no evento, incluindo Pinho Moreira, que deve fazer um rápido discurso no início do encontro.

"Não impeço nenhuma aliança e não forço nenhuma aliança", diz Colombo

Logo após entregar a carta de renúncia, Colombo concedeu coletiva à imprensa. Confira alguns trechos:

O senhor ainda sonha com uma coligação PSD e PMDB para fortalecer a sua candidatura ao Senado?
A verdade é que ninguém é dono de coligação, ela nasce e se fortalece dentro de um conceito que ela é preparada. Não existe dono, ninguém vai impor sua vontade. Sou um homem democrático, vou fazer aquilo que a maioria dos nossos líderes entenderem e se eu também entender que é o melhor projeto para SC. Não impeço nenhuma aliança e não forço nenhuma aliança. A verdadeira aliança é aquela que nasce natural. E acredito que isso vai acontecer como sempre aconteceu. Ninguém tem uma coligação pronta e não sabe com quem estará. O processo pluripartidário brasileiro tem sido assim. Claro que há posicionamentos e vão ser tratados dentro do partido.

Por ser tratado como um governo de continuidade PSD-PMDB, o senhor fez algum pedido especial para o Pinho Moreira nesse mandato dele?
Não. Administrativamente, de fato peço e pedi pelo Fundam II. É uma questão que entendo que fortalece o modelo catarinense, é importante que seja feito. O Fundam I foi um grande sucesso, não há como negar, os números de SC comprovam. Entendo que é um modelo de desconcentração de recursos que deve continuar e ser aperfeiçoado. (quanto a pedidos pessoais) Não fiz antes e não farei agora. Sempre, na licença na prefeitura de Lages e outros cargos que ocupei, sempre respeitei e nunca para nenhum sucessor fiz algum pedido pessoal porque não tinha esse direito. Questão administrativa, se for consultado, posso dar minha opinião.

Qual a maior conquista e a maior dificuldade dos sete anos de mandato?
A maior conquista foi vencer a crise, que foi muito dura, a maioria dos estados ficou desarrumada e Santa Catarina foi o estado que melhor passou a crise. E a maior dificuldade foi na segurança pública, com os ataques a ônibus, a chegada do crime organizado. Foi um desafio para toda a sociedade.

Como avalia as dificuldades na saúde e na segurança pública nos últimos meses do seu mandato?
Na segurança só em dezembro entraram 1,3 mil novos policiais militares, a maior formatura da história de SC, então o legado é positivo. Na saúde, muita gente se aproveitou do valor de R$ 1 bilhão (de dívida da secretaria) e agora está se comprovando que chega a 20% do que se falou inicialmente. E parte o governo federal reconheceu (ser responsabilidade dele). Então é importante trazer os números à realidade. As coisas vão se esclarecendo e vai prevalecendo os fatores reais.

Considera que o governo Pinho tem sido mesmo de continuidade?
Quem assume uma responsabilidade como essa tem total liberdade de escolher as pessoas e ouvir elas. Da minha parte tem total compreensão. É esse mesmo o caminho, não há amarração, o que for melhor para Santa Catarina e a melhor forma de Santa Catarina enfrentar, cabe a ele escolher e da minha parte apoiar.

Em relação aos inquéritos contra o senhor, o de corrupção passiva foi arquivado, mas o de caixa 2 segue tramitando. Há maior receito com a perda do foro privilegiado?
Absolutamente não. Tenho certeza que não houve isso e estamos preparados para esclarecer. É uma coisa tranquila para mim.

Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense

Fonte: DIÁRIO CATARINENSE