Chapecó | 03.06.2018 | 17h09 Saúde

Estudo aponta abordagem mais eficaz no tratamento do câncer

Os tratamentos para o câncer que atacam os tumores em função de suas características genéticas individuais, e não sua categoria geral, aumentam significativamente a sobrevivência do paciente em relação aos métodos tradicionais, segundo o maior estudo já realizado, divulgado neste sábado nos Estados Unidos.

Nem todos os cânceres de mama, fígado ou outros são iguais. Durante anos, os pesquisadores multiplicaram o sequenciamento de tumores, principalmente os resistentes aos tratamentos habituais, para encontrar mutações genéticas em um paciente em particular e adaptar o medicamento que lhe será administrado.

Estes tratamentos dirigidos são considerados promissores, mas faltava confirmar estatisticamente se são mais eficazes. Foi o que uma equipe de pesquisadores no Texas se comprometeu a fazer em 2007, em seu estudo chamado “Impact”.

Os pesquisadores recrutaram 3.743 pacientes tratados no centro oncológico MD Anderson, no Texas, de 2007 a 2013. Todos tinham câncer em estágio avançado, principalmente de mama, pulmão ou gastrointestinal. Alguns receberam até 16 tratamentos.

Do total, 711 foram tratados com um medicamento adaptado a uma mutação genética identificada entre eles. Um segundo grupo, de 596, seguiu o protocolo padrão, principalmente porque não havia disponível nenhum tratamento geneticamente adaptado para seus casos.

Depois de três anos, 15% dos que receberam terapias moleculares específicas estavam vivos, em comparação com 7% no grupo de pacientes que seguiram o tratamento tradicional. Depois de 10 anos, 6% dos pacientes do grupo objetivo estavam vivos, contra 1% do outro grupo.

“Este é o primeiro e maior estudo que mostra que os tratamentos adaptados às mutações genéticas dos tumores em pacientes com câncer avançado aumentam a sobrevivência”, comentou Catherine Diefenbach, oncologista do Centro Médico Langone da Universidade de Nova York, que não participou do estudo, em entrevista coletiva.

“O futuro”

“Antes da medicina de precisão, os pacientes eram tratados em função de seu tipo de câncer. Mas uma pessoa com câncer de mama pode ter células geneticamente mais semelhantes a um câncer de pulmão do que a outro câncer de mama”, explicou a especialista.

“Se o câncer é tratado apenas segundo a sua localização, todas estas diferenças genéticas são deixadas de lado. Este método, que consiste em identificar geneticamente os tumores, representa o futuro”, assinalou.

O sequenciamento, no entanto, não é um tratamento milagroso. Em média, as terapias específicas aumentaram a sobrevivência dos pacientes em nove meses, em comparação com os 7,3 meses dos tratamentos habituais.

Mas o método melhora a cada ano. “No começo, só podíamos trabalhar em um ou dois genes”, lembrou a principal autora do estudo, Apostolia Tsimberidou. Hoje, podem ser detectadas centenas de mutações.

“Idealmente, no futuro, os testes genéticos dos tumores e os exames de DNA irão se tornar a norma no momento do diagnóstico, o que deverá ajudar os pacientes desde o começo, principalmente nos cânceres difíceis”, concluiu a professora.

Foto: Células de câncer (iStock/Thinkstock)

Fonte: EXAME