Paial | 18.03.2018 | 10h29 Meio Ambiente

Espécie de peixe ameaçada de extinção é reproduzida no Oeste

Foi realizada está semana no rio Irani, em Paial, a primeira soltura de alevinos da Piracanjuba, uma espécie de peixe nativo da bacia do rio Uruguai ameaçada de extinção, que foi reproduzida em cativeiro na estação de piscicultura do Instituto Goio-Ên, em Águas de Chapecó. Foram 550 exemplares, soltos juntamente com 550 piavas e 110 mil corimbatá, também conhecida como grumatã. Um momento histórico dentro do Piraqué, que é o projeto de preservação dos peixes migratórios do rio Uruguai, segundo o engenheiro agrônomo Sidinei Follmann, coordenador de piscicultura do instituto.

— A Piracanjuba é uma espécie muito frágil e difícil de ser reproduzida, pois tem uma fase inicial de canibalismo e depois passa a se alimentar de frutos, nossa expectativa é que a partir de agora a gente possa repovoar os rios, onde ela não é mais vista há anos, eu mesmo estou há 15 anos trabalhando no instituto e nunca vi um exemplar no rio — destacou.

Anteriormente, já foram registradas algumas solturas de exemplares de Piracanjuba realizada pelo Laboratório de Biologia e Pesquisa de Peixes de Água Doce (Lapad), da UFSC, principalmente nos lagos das hidrelétricas de Machadinho e Itá.

O Instituto Goio-Ên também tem uma parceria com a Foz do Chapecó Energia, para a entrega de 200 mil alevinos por ano. A Piracanjuba é a oitava espécie reproduzida pelo instituto, que foi criado em 2003 e é mantido pela Fundação Universitária do Desenvolvimento do Oeste (Fundeste). Em 2012 a estação de piscicultura, que funcionava em São Carlos, foi para uma área de 17 hectares em Águas de Chapecó, próximo da Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, que fica no Rio Uruguai.

A estação de piscicultura, que conta com 17 tanques de matrizes de peixes para reprodução e 15 tanques experimentais, além de laboratórios, sede administrativa e equipamentos para reprodução dos peixes, foi doado pelo Consórcio Foz do Chapecó, como uma das medidas de compensação ambiental pelas consequências da hidrelétrica.

A mudança permitiu um salto no volume de alevinos produzidos, de 15 mil por ano na antiga estação, para 800 mil por ano. Além da Foz do Chapecó o instituto realiza solturas de alevinos em ações socioambientais e também comercializa para piscicultores interessados.

— Mas o nosso maior compromisso é manter a diversidade genética das espécies do Rio Uruguai, para isso já identificamos 80% de nossos 2,5 mil matrizes, fizemos a biometria com a instalação de chip nos reprodutores, além de renovar constantemente as matrizes graças à colaboração de pescadores, atualmente somos o único banco genético dessas espécies num raio de 1,1 mil quilômetros — afirmou Follmann.

Processo de reprodução

Para a reprodução dos peixes é realizada a retirada dos ovócitos das fêmeas e o sêmen dos machos, que deve ser misturado em 30 a 60 segundos para fecundar. Depois de dois a três minutos o material vai para as incubadores, onde fica das 13h30min até as 6h do dia seguinte, para a eclosão. As larvas são encaminhadas para um tanque, onde ficam mais três dias para se adaptarem à alimentação, exceto o Suruvi, que fica 21 dias.

Depois as larvas vão para os tanques de experimentação, onde ficam mais 45 dias até atingirem entre seis e oito centímetros, quando os alevinos podem ser soltos em rios e lagos.

A meta agora é identificar 100% das matrizes e ampliar o número de tanques de matrizes de 17 para 45 permitindo ampliar a produção para mais de um milhão de alevinos por ano. Para isso a estação conta também como apoio de pesquisas da Udesc. O doutor em Aquicultura Diogo Lopes e a mestranda em Zootecnia Taís Zuffo estão pesquisando a qualidade da água e a influência da alimentação na reprodução dos peixes.

— É um trabalho de monitoramento das variáveis de qualidade da água que vai colaborar para melhorar os indicadores de produção do laboratório de reprodução e peixes — afirma Lopes.

Graças ao trabalho desenvolvido em Águas de Chapecó, novas gerações vão poder conhecer as espécies de peixes que migravam no Rio Uruguai quando ainda não havia paredes de concreto bloqueando seu leito.

Espécies reproduzidas pelo Instituto Goio-Ên

l Dourado

l Curimbatá ou grumatã

l Jundiá

l Pintado amarelo

l Suruvi Bocudo

l Surubin Pintado

l Piava

l Piracanjuba

Fonte: NSC total