Chapecó | 07.08.2019 | 16h02 Agronegócio

Especialistas debatem impactos de agrotóxicos e transgênicos em Chapecó

O Brasil consome 20% dos agrotóxicos comercializados no mundo, e o valor vem crescendo nos últimos anos. Para ampliar a conscientização e o debate sobre os impactos desse consumo, diversos especialistas participarão da próxima reunião plenária do Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FCCIAT). O encontro será realizado no dia 9 de agosto, em Chapecó, uma das regiões do centro da produção agrícola catarinense.

Um dos temas debatidos na reunião será a presença de agrotóxicos nos alimentos e na água, no Brasil e na União Europeia. No início deste ano, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) divulgou um levantamento sobre os índices de agrotóxicos na água de abastecimento público dos municípios de Santa Catarina, que identificou que 22 recebem água com resquícios de agrotóxico e que sete das 17 substâncias encontradas são proibidas em países europeus. As amostras reforçaram a importância de discutir a temática - dando ensejo à criação, inclusive, de um Grupo de Trabalho para buscar soluções.

Além do Coordenador do Centro de Apoio Operacional do Consumidor (CCO), Promotor de Justiça Eduardo Paladino, a Doutora em Geografia e Professora na Universidade de São Paulo (USP) Larissa Mies Bombardi também palestrará sobre o tema na reunião. Autora de um dos principais trabalhos brasileiros recentes na área, o Atlas "Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia" (2017), Larissa abordará alguns dados alarmantes - por exemplo, que cerca de um terço dos ingredientes ativos comercializados no Brasil não são autorizados na Europa e que aproximadamente três mil pessoas são intoxicadas por agrotóxicos todos os anos no Brasil.

Diversos estudos já apontaram os perigos dessas substâncias, que podem ocasionar efeitos de curto e longo prazo tanto naqueles que as consomem quanto nos trabalhadores ou moradores de entorno de produções agrícolas. Os sintomas podem ir desde tonturas, náuseas e irritações na pele até paralisias, alterações comportamentais e tumores. Para debater o tema, a reunião plenária também contará com um painel sobre os impactos dos transgênicos e dos agrotóxicos na saúde.

O painel contará com a presença do Engenheiro Agrônomo e Professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Leonardo Melgarejo, que também é Vice-Presidente da Associação Brasileira de Agroecologia para a região Sul. O pesquisador em agrobiodiversidade e doutorando em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia (UFRJ) Gabriel Bianconi Fernandes também falará sobre a temática. Gabriel atua há 20 anos em pesquisas do ramo e seu mestrado abordou a introdução das sementes transgênicas no Brasil.

Participará, também, o Vice-Reitor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Antônio Inácio Andrioli, que possui pós-doutorado em Sociologia, atuando, sobretudo, com sociologia agrária. Por suas pesquisas em prol de uma agricultura livre de transgênicos, que originaram o livro "Transgênicos, as sementes do mal: a silenciosa contaminação dos solos e alimentos", Antônio foi escolhido pela maior organização ambiental da Alemanha para receber o Prêmio Baviera de Proteção Ambiental 2020.

Fonte: MPSC