Chapecó | 01.12.2016 | 08h43 Geral

Cria da Chape, Grolli viaja para passar apoio: "Carinho especial"

Douglas Grolli se emociona ao lembrar dos conhecidos que perdeu na tragédia com o avião da Chapecoense na Colômbia e pede liberação da Macaca para ir até Chapecó.

Entre a emoção e o luto que tomaram conta do futebol brasileiro desde a última terça-feira, Douglas Grolli é o jogador da Ponte Preta mais identificado com a tragédia aérea envolvendo a delegação da Chapecoense na Colômbia. Cria do clube catarinense, o zagueiro conhecia a maioria das vítimas, principalmente dirigentes e funcionários.

Tanto que pediu liberação à diretoria da Macaca para viajar a Chapecó e passar força para quem ficou. Ele é natural de São Miguel do Oeste, a aproximadamente 120 quilômetros de Chapecó.

- É muito difícil falar. São pessoas que convivi no início da carreira. Não fosse por elas, certamente eu não estaria aqui hoje. Então é difícil aceitar um pouco. Infelizmente aconteceu. Agora é torcer para que os familiares tenham apoio e superem essa dura realidade. Só o tempo vai curar um pouco, amenizar. É procurar lembrar das coisas boas, das amizades. Foram pessoas sensacionais que passaram pela minha vida - disse.

Dos conhecidos, Grolli se emociona ao lembrar do gerente de futebol Cadu Gaúcho:
- Quando eu subi para o profissional, o Cadu ainda era jogador. Quando eu não era relacionado, ele dava um pouco do bicho para mim, me ajuda. Também me apoiou como diretor. Sem contar o presidente, o Dener (lateral-esquerdo), o Caramelo. É tanta gente que fico até emocionado. É uma situação muito difícil.

Contando as duas passagens, o zagueiro ficou quatro anos e meio na Chape. Primeiro, entre 2007, ainda na base, e 2011. Depois de passar por Grêmio, São Caetano e Londrina, retornou ao clube de origem para o Brasileirão de 2014, antes de seguir para o Cruzeiro, na temporada seguinte.

Ele conta que não acreditou quando soube da notícia por meio de mensagens no celular do pai e da namorada. Em um primeiro momento, chegou a pensar que seriam apenas seis mortes, quando na verdade esse era o número de sobreviventes. Foi aí que ele percebeu a gravidade do acidente.

- Passou um filme na minha cabeça, eu conhecia quase todo mundo. A maioria ali me acompanhou desde os testes.

Diante do drama vivido pelo clube e pela cidade de Chapecó, Grolli se sentiu no dever de estar perto dos familiares das vítimas e estará em Chapecó a partir de quinta-feira para dar apoio e participar do velório coletivo que está previsto na Arena Condá, provavelmente na sexta. O retorno dele a Campinas vai depender dos próximos acontecimentos com a Chape. Existe até a possibilidade de ele não participar do último jogo da Ponte no Brasileirão, contra o Coritiba, adiado para 11 de dezembro, por conta do acidente com a Chapecoense.

- Estou indo para Chapecó, quero ir para lá e ajudar as pessoas que lá estão. Minha cabeça está um pouco lá também. São tantos amigos, tantas pessoas. Tenho um carinho especial por todos. Não queria estar lá, mas infelizmente aconteceu. Agora é dar forças para as pessoas. Ainda não está definido se vai dar tempo de eu voltar (para o último jogo). Depois vou ligar para a diretoria assim que definir a situação lá.

Sobre as ações de solidariedade que alguns clubes brasileiros pensam em prestar, como empréstimo gratuito de jogadores e imunidade de rebaixamento por três anos, o zagueiro considera justa a homenagem, mas acha que ainda não é hora de pensar nessas situações, até porque a comoção ainda é muito grande pelas perdas.

- Acho bacana, pois o clube enfrenta uma crise sem precedentes, perdeu praticamente tudo, então qualquer ajuda vai ser válida. Mas é até difícil pensar nesse sentido. É hora de pensar nas pessoas que se fora. Vamos esperar a poeira baixar um pouco para começar a pensar em ajuda dos outros clubes para a Chapecoense seguir seu caminho brilhantemente, como vinha fazendo.

Das vítimas, três tiveram passagem pela Macaca: os volantes Josimar e Gil e o ex-meia Mário Sérgio, atualmente comentarista. O clube prestou homenagem aos três nas redes sociais.

O acidente
O voo que transportava a equipe da Chapecoense partiu na noite de segunda-feira de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, em direção a Medellín. Segundo a imprensa local, a aeronave perdeu contato com a torre de controle às 22h15 local (1h15 de Brasília), entre as cidades de La Ceja e Abejorral, e caiu ao se aproximar do Aeroporto José Maria Córdova, em Rionegro, perto de Medellín. Ainda de acordo com as autoridades locais, as buscas pelos corpos foram encerradas. Foram seis sobreviventes e 71 mortos. As informações foram passadas por Carlos Iván Márquez, diretor geral da unidade de resgate local.

Fonte: WH3