Chapecó | 01.12.2016 | 08h58 Geral

Como explicar a tragédia a fãs mirins da Chape? Pais e filhos respondem

A dor não tem idade. E fica ainda mais difícil explicar isso para um coração infantil com espaço reservado desde o berço para a Chapecoense. Tem quem diga, “ah, criança não entende”. E como explicar então a reação do pequeno Davi Luis, 2 anos? Na terça-feira, dia da tragédia, logo ao acordar, o menino pediu para colocar a camisa da Chape, passou o dia com ela, tomou banho, vestiu outra vez o pequeno manto, dormiu e acordou com ele no dia seguinte. Tem explicação?

Em meio à comoção que tomou conta do Brasil e do mundo, uma legião de pequenos torcedores conheceu desde cedo a dor da perda, mesmo que alguns ainda não entendam muito bem que aperto é esse que dói no peito e faz seus pais chorarem.
Desde terça-feira, muitos desses pais levaram seus filhos à Arena Condá. Entre lágrimas e consolos, a certeza que não é preciso entender para sentir. Nem no amor, nem na dor.

Perda pior do que um parente
“Minha mãe foi trabalhar às 4h da madrugada (de terça-feira), ouviu no rádio e me avisou. Fiquei até 7h assistindo na TV. Tive a perda da minha avó, que morava comigo e de quem gostava muito. A perda da Chape foi pior” – Alex Rogério, 11 anos

Danilo como grande ídolo
“Difícil acordar o Kauã com essa notícia, e na terça foi meu aniversário. Quando contei ele pulou da cama, não quis acreditar e nem foi à aula. Na hora ele pediu pelo Danilo, que era o grande ídolo dele. Depois chegou a notícia que ele estava morto” – André Heilmann, pai de Kauã, 10 anos, e Eric, 2

O entendimento da criança
“Estamos achando que eles não entendem...Ele acordou (no dia da tragédia), pediu que colocasse a camisa da Chape nele, passou o dia, tomou banho, colocou outra da Chape e dormiu com ela...A criança do jeitinho dela entende o que está acontecendo” – Danimar Silva, pai de Davi Luís, 2 anos

"Todos os jogadores?!"
“Eu não acreditei. Quando acordei, fui na sala ver. Minha mãe me mostrou que era real. E eu falei. Todos os jogadores?! Eu pensei que a maioria ia se salvar. Fiquei muito triste e abalado porque a maioria não conseguiu sobreviver” - Marcos Gabriel Cassol, 10 anos

Sensibilidade infantil
“É bastante delicado esse momento. Tentamos transmitir o que tudo isso represente. Se adulto já é difícil, transmitir para uma criança que é mais sensível então... É uma realidade. E agora precisamos zelar pelos nossos filhos e pela honra da Chape” – Rodrigo Vasconcellos, pai de Luiz, 9 anos

Choro da professora
“Ela não entende, claro. Ele foi na aula terça de manhã e chegou em casa dizendo que a professora estava chorando dizendo que o Verdão tinha se acidentado de avião. Mas vai melhorar” – Paulo Bortoli, pai de Kauã, 7 anos, e Kalinka, 1

Fonte: G1