Chapecó | 29.06.2018 | 20h52 Economia

BRF anuncia reestruturação para arrecadar R$ 5 bi e reduzir dívida

O novo presidente-executivo global da BRF, Pedro Parente, começa a mostrar a que veio. Hábil em finanças, na primeira grande mudança após a sua posse, definiu nesta sexta-feira com o conselho de administração da companhia uma reestruturação que visa arrecadar R$ 5 bilhões.

O plano prevê venda de unidades operacionais na Europa, Tailândia e Argentina, venda de ativos imobiliários e não operacionais e participações minoritárias em empresas. Vai concentrar atenções ao mercado brasileiro, vendas para a Ásia e ao mercado muçulmano, para o qual tem plantas exclusivas, incluindo a empresa Banvit na Turquia. A dona da Sadia e Perdigão também está ajustando a produção e vai demitir 5% do quadro de trabalhadores no Brasil, o que significará o fechamento de mais de 4 mil vagas.

A companhia empregava em março cerca de 88 mil no país, sendo 23 mil em Santa Catarina, onde está sua sede e as principais unidades fabris. No fato relevante divulgado pelo vice-presidente Executivo Global e vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores, Lorival Luz Junior, não são informadas as unidades onde serão feitas as demissões. Na quinta-feira desta semana, a empresa anunciou a demissão de 350 trabalhadores na unidade de perus em Chapecó e estuda lay off por cinco meses para 1,4 mil.

O objetivo do conjunto de medidas é reduzir o endividamento, para que a razão entre dívida líquida e Ebitda fique em cerca de 4,35 X. Atualmente, está em torno de 5 X. Em março, a dívida bruta da companhia estava em R$ 21,3 bilhões, a maior entre as empresas do segmento de proteína animal.

A saída da Europa e Argentina com unidades fabris não significa que a empresa vai deixar de vender a esses mercados. Vale lembrar que no balanço do primeiro trimestre a BRF faz a observação de que o Brasil é o país mais barato do mundo para produção de proteína animal. Então, é mais fácil produzir aqui e exportar do que ter unidades fabris em países onde os custos são elevados. Segundo a companhia, esse plano de reestruturação deve ser concluído em 60 dias.

Fonte: NSC total