Chapecó | 11.01.2018 | 14h41 Geral

Brasileiro detido na Venezuela diz que planejou prisão por causa social

Jonatan Diniz ficou preso por dez dias e sofreu abusos de autoridades do governo Maduro.

RIO — Expulso da Venezuela após dez dias detido, o brasileiro Jonatan Moisés Diniz, de 31 anos, admitiu que queria ir para a cadeia para gerar repercussão e, com isso, alertar sobre a fome das crianças no país. Em vídeo gravado na Califórnia, nos Estados Unidos, ele também criticou o foco da imprensa sobre os maus-tratos que, segundo ele mesmo, sofreu na prisão. Na sua página do Facebook, o catarinense havia relatado ter sido forçado a ficar nu em frente aos outros presos e não ter recebido comida durante vários dias.

"Se eu fui para lá e fui, é porque incitei ser preso. Eu planejei ir para a Venezuela, chamar atenção e ser preso. Admito. Com o dinheiro que eu tenho, não daria para salvar nem cem crianças. Num ato sem medo, fui, falei e enfrentei de cara pessoas poderosas, ligadas ao presidente e às Forças Armadas. Fui para a cadeia justamente porque eu queria ir para a cadeia para acontecer a repercussão, para mostrar que tem criança morrendo de fome. Indo para a cadeia, aconteceu exatamente o meu plano", reconheceu o brasileiro.

No vídeo, publicado em sua conta pessoal do Facebook, Jonatan não detalha o que fez para incitar a própria prisão, ocorrida, segundo ele, quando estava com amigos na praia. Nos últimos dias de dezembro, o dirigente chavista Diosdado Cabello — figura forte do chavismo — anunciou que as autoridades o haviam prendido e acusou o brasileiro de liderar a organização Time to Change, que seria fachada para ações contra o governo do presidente Nicolás Maduro. O número 2 do chavismo chegou a sugerir que a CIA, agência secreta dos EUA, estaria por trás da atuação dele no país sul-americano.

O objetivo, segundo Jonatan, era divulgar o drama das crianças e financiar ajuda para a sua organização. Quanto mais repercussão, mais dinheiro a ONG da qual participa conseguiria arrecadar e, assim, compraria mais comida para os pequenos famintos. Em apelo aos seguidores para espalhar a "vibração do bem", o brasileiro reforçou que não sofreu agressões físicas ou ameaças de morte na cadeia, afirmando que se arriscaria de novo em nome da causa.

"Foram onze dias de apreensão, de orações. Só que a minha vida não é nada. Se eu puder, com tudo isso que eu fiz, salvar uma criança, já valeu tudo a pena. Se eu tiver que arriscar minha vida mais cem vezes, vou arriscar (...) Se algum governo, se alguma polícia quiser me prender por isso, pode me prender. Estou aqui à disposição. Se é para fazer o bem, eu topo arriscar a minha vida", frisou.

Fonte: G1