Chapecó | 15.03.2017 | 14h57 Geral

Bebê órfã de pais do Estado Islâmico volta para família no Sudão

Avós querem cuidar da neta após filha ter fugido para se juntar a extremistas.

CARTUM — Quando agentes de segurança bateram à sua porta em Cartum, capital do Sudão, o empresário Alithi Yusef entendeu que o seu pior pesadelo se tornara realidade. Eles levavam a notícia da morte da sua filha, Aya, uma estudante de medicina que se juntou ao Estado Islâmico com quatro amigas na Líbia. No entanto, havia também uma novidade surpreendente para Yusef: a jovem tinha deixado uma filha de quatro meses, que a partir de então estava órfão.

Agora a família da estudante que, aos 20 anos, desapareceu repentinamente, diz que deseja muito cuidar da menina.

— Temos uma grande responsabilidade. Gostamos muito de Lojien. É a filha de Aya — diz Yusef.

Segundo seu pai, Aya foi à Líbia por terra. O seu passaporte sudanês foi encontrado em um apartamento de Cartum alguns dias após a sua partida. Quando chegou à Líbia, se casou com um membro do Estado Islâmico que já havia frequentado a mesma universidade que ela. O casal de combatentes morreu quando a cidade de Sirte foi libertada, mas os detalhes das circunstâncias em que faleceram não são conhecidos.

Yusef e sua mulher, Manal Fadlalá, lembram de notar uma mudança rápida no comportamento da filha antes da sua partida. Ela frequentou uma escola inglesa de Abu Dabi na infância, onde a família morou por anos, e cresceu escutando músicas ocidentais e lendo livros em inglês. Eles dizem que a sua radicalização foi rápida, depois que a jovem começou o segundo ano da faculdade. No entanto, nunca teriam imaginado que ela tivesse a intenção de se juntar aos campos de batalha; por isso, Yusef não chegou a vasculhar seu computador ou celular.

— Se soubesse dos seus planos, teria ficado o tempo todo no seu quarto, nunca a teria deixado sozinha — disse Yusef, que tem quatro filhos.

De acordo com autoridades sudanesas, dezenas de estudantes já se alistaram no grupo extremista em Líbia, Síria ou Iraque.

Fonte: G1