Chapecó | 07.01.2017 | 10h56 Economia

Banco aponta tendência de real se valorizar mais, apesar de Trump

Depois de ter subido quase 18% em relação ao dólar em 2016, com o melhor desempenho mundial, o real tem boas chances de continuar se valorizando em 2017, na avaliação do Goldman Sachs.

A perspectiva é otimista não só para a moeda brasileira como para as dos outros países que compõem o grupo emergente Brics, com exceção da China, ou seja, Rússia, Índia e África do Sul.

DÓLAR SE APROXIMA DOS R$ 3,20 - Valorização das commodities e potencial de recuperação da economia brasileira ajudam o real

Segundo o banco, o real, o rublo, a rupia e o rand devem prosseguir com o "rally" visto em dezembro. Essas moedas ficaram entre as que tiveram os melhores retornos no mês passado, depois da desvalorização generalizada em novembro por causa da inesperada vitória de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos.

O real avançou 4% em dezembro ante o dólar e iniciou a primeira semana de 2017 com ganho de 1%. A moeda americana está cotada agora na casa dos R$ 3,22.

Em novembro, a moeda brasileira havia se desvalorizado 6,6%. No dia da eleição, antes da divulgação do resultado, o dólar fechou a R$ 3,27. Em 1º de dezembro, a moeda chegou a R$ 3,47.

A tendência de que os preços das commodities, como o petróleo, continuem se recuperando é um dos fatores que devem impulsionar as moedas desses emergentes.

"Incluímos essas moedas nas recomendações de investimento para 2017, pois esse grupo está indo bem no caminho de recuperar os níveis anteriores a 8 de novembro, dia da eleição presidencial americana, mesmo que o dólar continue a se fortalecer diante da maioria", diz o Goldman, em relatório.

O dólar tem subido contra boa parte das moedas por causa de expectativas de aceleração da economia dos EUA durante a gestão de Trump, que toma posse no dia 20.

Espera-se que o republicano aumente os gastos públicos e corte impostos, o que deverá elevar mais rapidamente a inflação e, consequentemente, os juros daquele país. Dessa forma, a migração de recursos de outros países para investimentos na maior economia do mundo deve crescer.

O Goldman afirma ainda que Brasil, Rússia, Índia e África do Sul têm como atrativos taxas de juros mais altas, inflação em trajetória declinante e perspectiva de crescimento econômico mais forte à frente, entre outros fatores.

"As moedas desses países também têm exposição limitada aos riscos de comércio com os EUA, se a retórica protecionista do presidente eleito se transformar em ação."

De acordo com o banco, esses países têm menor probabilidade de enfrentar barreiras para exportar aos Estados Unidos, porque não teriam competição direta com o mercado de trabalho americano.

"Enquanto isso, China e outros emergentes asiáticos exportam bens que podem ser considerados como competitivos com a indústria americana e têm mais riscos de sofrer restrições."

EMPREGOS NOS EUA

A sequência de quedas do dólar ante o real em direção a níveis pré-eleição de Trump foi interrompida nesta sexta- (6). Acompanhando o movimento global, o dólar à vista subiu 0,64%, a R$ 3,2212.

O motivo foram os dados do mercado de trabalho americano de dezembro. Apesar de a criação de vagas em relação ao mês anterior ter ficado em 156 mil, abaixo das expectativas, o salário médio por hora subiu 2,9% na comparação anual, maior alta desde junho de 2009.

Além disso, a criação de vagas de novembro foi revisada de 178 mil para 204 mil.

"Os números sugerem que a economia americana segue forte, algo que exigirá um Fed mais agressivo em sua normalização de juros", afirma a equipe de análise da Guide Investimentos.

O Ibovespa fechou em queda de 0,65%, aos 61.665,37 pontos. Na semana, porém, o principal índice da Bolsa registrou valorização de 2,39%.

Fonte: UOL