Xanxerê | 30.06.2019 | 18h59 Saúde

Alunas do IFSC de Xanxerê concorrem a prêmio internacional com aplicativo de prevenção a suicídio

Esta semana foi especial para um grupo de cinco estudantes de Xanxerê, no Oeste catarinense. Foi quando elas receberam a notícia de que são finalistas na competição internacional de tecnologia para meninas Technovation Challenge. A premiação ocorre em agosto na Califórnia, nos Estados Unidos.

Para chegar até a final da competição, as alunas desenvolveram um aplicativo para celular chamado Safe Tears, "lágrimas seguras" em inglês, para ajudar na prevenção ao suicídio. Até o projeto ficar pronto, foram-se dois anos de trabalho de Ana Júlia Giacomeli, Anna Carolina Ferronato da Silva, Clara Noemi Pithon da Silva, Emanuela Maraskin e Jhuly Kefny da Silva Carvalho.

As estudantes têm entre 16 e 18 anos e fazem curso técnico em informática integrado ao ensino médio no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

Início
Tudo começou em 2017, quando o professor de informática Alex Weber passou em uma aula um documentário sobre a competição. "Nós falamos com ele que queríamos participar e ele topou ser nosso mentor. Começamos a pensar em ideias, algum problema social que a gente pudesse ajudar a desenvolver", conta Anna Carolina Silva.

À procura de temas que afetassem a região de Xanxerê, as estudantes chegaram ao assunto suicídio. "Vimos que tinha um índice muito alto, principalmente entre os jovens", diz Emanuela Maraskin.

Elas buscaram ajuda com a psicóloga do campus, Cristina Folster, no começo de 2018. "Desde então, viemos estudando como seria possível. Fiz um curso para elas, fomos visitar o CVV [Centro de Valorização da Vida] em Chapecó [Oeste catarinense] para poder fazer as frases, as dicas, os textos que têm dentro do aplicativo. Elas estudaram bastante", relata a profissional.

O maior desafio do grupo, segundo Emanuela, foi a programação. "Naquela forma, a gente não aprendia no curso. Era uma linguagem totalmente nova. Tivemos que ir atrás para aprender como se fazia desde o zero", conta.

Como funciona?
Ao entrar no aplicativo, o usuário se depara com a figura de um copo. Emanuela explica como funciona: "você pode adicionar lágrimas tristes, e pode retirar lágrimas quando acontece alguma coisa boa. Tem uma escala de um a cinco para definir a tristeza. Um significa pouco triste. Se estiver muito triste, coloca cinco gotas".

O aplicativo responde conforme o recipiente vai enchendo com as lágrimas virtuais, o que gera uma porcentagem correspondente a quanto o copo está cheio. "Até 50%, aparecem mensagens motivacionais para não ficar mais triste. Acima de 50%, para procurar algum psicólogo, uma ajuda profissional", resume a estudante.

No programa, também é possível cadastrar uma "pessoa de segurança", que é acionada quando a porcentagem passa da metade, conta Cristina Folster. "O aplicativo explica para a pessoa de segurança como pode ajudar", diz.

Conquista e desafio
Em abril, as alunas enviaram o projeto à competição. Na segunda-feira (24), receberam a notícia de que estavam entre os seis grupos finalistas, que incluem estudantes do Cazaquistão, da Albânia, da Espanha, dos Estados Unidos e da Índia.

"Todas nós ficamos muito surpresas! Apesar de acreditarmos no nosso trabalho, muitas vezes nos pareceu impossível. Mas na hora foi uma emoção muito grande e ficamos muito felizes", diz Anna Carolina.

De 12 a 16 de agosto, as estudantes estarão na Califórnia para saber o resultado final, com os custos pagos pela própria competição.

Por enquanto, o aplicativo Safe Tears não está disponível para o público, mas isso pode mudar. "A gente não discutiu muito a fundo, mas é uma coisa a se considerar", diz Anna Carolina.

Fonte: G1 Santa Catarina